
A semana do conclave começou aqui, no Vaticano. E os cardeais estão cada vez mais silenciosos. Alguns ainda se arriscam a caminhar pela Via della Conciliazione, cruzando por milhares de jornalistas: passos rápidos e boca, fechada.
Basta ficar alguns minutos parado em meio à multidão de turistas nos arredores da Praça de São Pedro para, de tempos em tempos, observar um grupo de repórteres e cinegrafistas andando de costas, à frente de um cardeal, na tentativa de obter uma frase.
Mas a verdade é que, desde domingo (4), os votantes não estão mais concedendo entrevistas - os últimos a falar manifestaram-se nas homilia, durante as missas que celebraram nas paróquias em que são titulares em Roma - sim, há uma igreja para cada cardeal na capital italiana.
Com os olhos do mundo voltados à chaminé da Capela Sistina, pela qual sairá a fumaça branca, é bom começar a se preparar para acompanhar o anúncio do sucessor de Francisco.
O conclave começa na quarta-feira (7) com uma missa chamada pro eligendo Romano Pontefice, ou "para a eleição do pontífice. Será às 10h (5h em Brasília).
Depois, haverá um almoço na Casa Santa Marta. Às 16h30min (11h30min em Brasília), os cardeais se deslocarão da Capela Paulina, no interior do Palácio Apostólico, até a Capela Sistina. Os cardeais não votantes (com mais de 80 anos), então, serão convidados a se retirar. É quando as portas da capela serão fechadas para o mundo — inclusive o sinal da TV do Vaticano é cortado neste momento, e os telões espalhados pela Praça de São Pedro são desligados.
Na quarta-feira (7), só haverá uma votação, cujo resultado provavelmente sairá por volta de 19h (14h em Brasília). Há pouquíssima chance de se ter um eleito nesse primeiro escrutínio - a votação que inaugura o conclave é uma espécie de balizador para as demais, ali se mede, pela primeira vez, concretamente, os favoritos - até lá, é tudo especulação.
A partir daí, nos dias seguintes teremos quatro votações - duas por turno. Se no primeiro escrutínio do dia, um nome conquistar os dois terços dos votos, imediatamente sairá a fumaça branca na chaminé. Caso contrário, haverá uma segunda votação ainda pela manhã.
- Perto de 5h15min (horário de Brasília): acontece a primeira votação a partir do segundo dia. Se o papa for definido, sairá fumaça branca. Se não for definido, nada acontecerá
- Perto de 7h (horário de Brasília): segunda rodada de votação do dia. Se o papa for definido, sairá fumaça branca da chaminé da capela Sistina. Se não houver definição, sairá fumaça preta
- Perto de 12h15min (horário de Brasília): terceira rodada de votação do dia. Se o papa for definido, sairá fumaça branca. Se não for definido, nada acontecerá
- Perto de 14h (horário de Brasília): quarta rodada de votação do dia. Se o papa for definido, sairá fumaça branca da chaminé da capela Sistina. Se não houver definição, sairá fumaça preta
Se até o final do sábado (10), quarto dia de votações, não houver um eleito, os cardeais poderão interromper os escrutínio para oração no domingo (11). De 12 a 21 de maio ainda ocorrem votações, caso não se tenha o eleito. E a partir de 22, se persistir o impasse, só ficarão os dois primeiros mais votados, em uma espécie de funil (parecido com o segundo turno de uma eleição convencional).
Nos últimos quatro conclaves, a eleição não passou de três dias - João Paulo I, Bento 16 e Francisco foram eleitos no segundo dia. João Paulo II foi escolhido no terceiro.
Nos bastidores, os cardeais comentam que provavelmente, dessa vez, não será nos dois primeiros dias. Muitos apostam no terceiro, a sexta-feira (9).




