
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, e o que escolheu Francisco, em 2013, duraram, cada um, dois dias. No entanto, essa média de tempo para a escolha dos pontífices não é uma regra. A eleição do sucessor do papa argentino, por exemplo, pode levar de quatro a cinco dias, segundo apontam especialistas e até mesmo cardeais que participarão da votação.
Há, contudo, um fato curioso: já houve conclaves extremamente rápidos e outros muito longos. O de Pio XII, em 1939, durou apenas 24 horas. Já o de Gregório X, no século XIII, estendeu-se por quase quatro anos — 33 meses — no Palácio Episcopal de Viterbo, no interior da Itália.
Segundo o frade dominicano, teólogo e escritor Frei Betto, o conclave daquela época era marcado por intensas disputas políticas, com interferência direta de reis e príncipes. Para forçar uma decisão dos cardeais, que deveriam eleger o sucessor de Clemente IV — cujo conclave já havia durado quase três anos —, os fiéis utilizaram medidas drásticas:
— Os fiéis de Viterbo destelharam o Palácio Episcopal no início do inverno e restringiram a entrada de comida. Assim, os cardeais, para não morrerem de frio e fome, trataram de escolher rapidamente o papa.
O teólogo também lembra que foi Gregório X quem estabeleceu as regras gerais do conclave, como a dinâmica da votação e o isolamento dos cardeais. Após isso, houve apenas pequenas modificações até o conclave atual.





