
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Estudantes estrangeiros de Harvard seguem em alerta e preocupados com o futuro diante da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir a permanência de alunos que não sejam americanos na instituição. Para esta semana, estão agendadas audiências entre terça (27) e quinta-feira (29), que avaliarão a suspensão imposta pelo republicano.
Na sexta (23), uma juíza barrou temporariamente a decisão do presidente, que voltou a defender o veto durante o fim de semana.
Uma bolsista brasileira, que preferiu não ser identificada, falou à coluna. Ela concluirá mestrado nos próximos dias:
— É uma insegurança, um sentimento de injustiça. Também temos a certeza de que os estudantes de fora é que trazem uma experiência única para Harvard, é o que faz Harvard ser tão interessante, porque junta as melhores pessoas do mundo inteiro.
Segundo ela, tanto os estudantes estrangeiros que já estão no país quanto os que vão iniciar os estudos nos próximos meses estão cautelosos:
— É uma imprevisibilidade para quem está mudando de país. Entre os meus colegas, tem gente que fez dívida, que largou a família, que estava com esse sonho de vir para cá, de ter essa experiência nos Estados Unidos, não só da universidade, mas também do pós, então isso acaba desmoronando.
A mestranda mencionou o caso de outra brasileira que passou recentemente em Harvard e começaria seus estudos nos próximos meses. A jovem havia conseguido o visto em um dia e, no dia seguinte, ao acessar a plataforma, o documento estava recusado.
— Imagina se você está fazendo planos para vir, mudar por dois anos, aí você não sabe se no meio do processo você tem que sair. É muito difícil. Outro grupo que acho muito triste são as pessoas que estão no meio (da formação), por exemplo, o que vai acontecer? — questiona a estudante.
Na sexta-feira, a coluna já havia conversado com um pesquisador convidado da instituição, que relatou "incerteza generalizada" diante dos próximos passos de Trump.




