
Um das melhores definições para os números mais alentadores vindos da Europa desde o final de semana provavelmente é da chanceler alemã, Angela Merkel: “esperança muito cautelosa”.
Vários países, entre eles dois que foram devastados pelo coronavírus (Espanha e Itália), começam a desenhar um mapa de retomada da vida - não ainda normal, mas, pelo menos, um respiro às medidas de confinamento.
A Itália, primeiro país da Europa a ser atingido pela covid-19, completa na quinta-feira (9) um mês de quarentena. É também a nação que tem, até o momento, um plano mais organizado de reabertura, composto por três fases (veja abaixo). Regiões do sul do país, onde o coronavírus não se espalhou tanto, reabririam mais cedo. A Lombardia, primeiro epicentro da doença, deixaria a quarentena no dia 22, e a Toscana, apenas no dia 5 de maio. Essas datas, no entanto, podem mudar uma vez que os planos são refeitos de acordo com a evolução dos quadros diários de infecção.
Espanha, França e Bélgica criaram comissões para estudar modelos de reabertura. As três nações apresentaram menores índices de internações em UTIs e mortes, o que leva a pensar que as estatísticas estão estabilizando. A Alemanha, país que é exemplo de identificação e contenção da doença, é mais cautelosa.
A maioria dos governos aposta em testes generalizados na população como maneira de sair gradualmente do bloqueio, mas os regimes variam amplamente na Europa. A Alemanha está realizando testes massivos. O Reino Unido ainda não o fez, mas é entusiasta da ideia. Trata-se de uma espécie de “passaporte de imunidade”. Quem fizer o teste e der negativo poderia voltar ao trabalho. Quem der positivo fica em quarentena - além, disso são mantidas em confinamento pessoas de grupos de risco.
Um erro pode ser fatal e deflagrar uma segunda onda da pandemia. Por isso, além de “esperança muito cautelosa” de Merkel, a outra expressão de ordem dos europeus nesta semana é “não baixar a guarda”.
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O mapa da retomada
Espanha
Criou comissão para analisar opções para a volta às aulas e o relaxamento das restrições. No domingo (5), houve o menor crescimento de mortes a cada 24 horas em nove dias (674). O número de novas infecções subiu 5%, a menor taxa de crescimento desde o começo da crise. O país, que tem o segundo maior número de casos (atrás apenas dos EUA), está em confinamento desde 15 de março.
Itália
O país completa na próxima quinta-feira um mês na quarentena. A região da Lombardia, a mais atingida do país, “respira”, segundo palavras das autoridades da saúde. Os dados de novos contágios se estabilizaram. O governo elaborou um plano em três etapas para a reabertura da nação. A primeira fase, em andamento, consiste em localização e estabilização do problema. A segunda chama-se “convivência com o vírus”, e a terceira será quando sua presença estará erradicada. O país deve sair do confinamento também em diferentes momentos. Acredita-se que nos próximos dias regiões como Ligúria, Basilicata e Úmbria poderão reabrir. A Lombardia deixaria a quarentena no dia 22. E a Toscana seria a última, no dia 5 de maio. Alguns governos regionais apostam em onda passiva de testes para identificar aqueles que já superaram a doença e que teriam anticorpos para voltar a trabalhar. No domingo (5), os dados sobre a propagação do coronavírus se estabilizaram e os novos contágios passaram para 4.316, cerca de 500 a menos do que o registrado no sábado, dia 4 (4.805)
Reino Unido
Com “muita cautela”, segundo o governo, algumas regiões do país em que haja mais imunidade poderão voltar às atividades na próxima semana. Não há, no entanto, uma data. O país foi um dos últimos da Europa a entrar em quarentena: em 21 de março foram fechados bares e restaurantes, dois dias depois, suspensa as aulas e só no dia 24 houve ordem para confinamento total. O número de casos está em aceleração. O governo estuda a criação de um “passaporte de imunidade” - ideia já aventada pelo ministro da Economia Paulo Guedes. Consiste em testar o máximo de pessoas possível. Se o vírus for descartado, ela pode voltar ao trabalho. Caso seja identificada infecção pelo coronavírus, o “passaporte” não seria concedido e a pessoa ficaria em quarentena.
O Reino Unido é exceção na série de notícias mais otimistas, vindas da Europa Central. O número de casos também está em aceleração.
França
Criou comissão para analisar opções para o relaxamento das restrições. O número de internações em UTIs caiu por seis dias consecutivos para menos da metade: de 35 no dia 29 de março para 140 no domingo.
Bélgica
Criou comissão para analisar opções para a volta às aulas e o relaxamento das restrições. O número de internações em UTIs também teve redução - 16 novos pacientes, menor número desde 20 de março. A reabertura deve ser mais rápida do que em outros países. Não houve caos no sistema de saúde. País está em quarentena desde 17 de março.
Áustria
Os números diários de novos casos e de internados em UTIs caíram muito nos últimos dias, e houve mais recuperados que diagnosticados com a covid-19. Entre sábado (4) e domingo (5), o país registrou 240 novos casos - nas 24 horas anteriores, eram 270. Nesta-segunda-feira, o governo deve apresentar um projeto de retomada das atividades. Tudo indica que a flexibilização das regras de isolamento deve começar após a Páscoa.
Alemanha
O país também registra desaceleração de novos casos - pelo quarto dia consecutivo nesta segunda-feira (6). Mas o Instituto Richard Koch (RKI), órgão de saúde pública para doenças infecciosas, é mais conservador em relação ao fim da quarentena. O governo fala em “esperança muito cautelosa”. A Alemanha fala em começar a pensar em sair do bloqueio no dia 19 de abril. De sábado (4) para domingo (5), foram 5.936 casos confirmados - na véspera, o número havia subido 6.082 e, de quinta para sexta, 6.174.

