
Querida filha.
Sei que sua cabecinha anda a mil. É muita coisa: redes sociais, crises, emergência climática, e aquela pergunta que te visita no silêncio: que futuro me espera?
Aos 17, você já lê o mundo e fala das causas que te importam. Mas tem um nó aí dentro, né? Um medo miúdo, uma dúvida insistente. Por onde começar?
Filha, aprendi que essa inquietação é sinal de vida. Quem sente o mundo profundamente tem mais perguntas do que certezas. E tudo bem.
Sobre faculdade, futuro… respira. Ninguém tem tudo resolvido aos 17, nem aos 37. Se for para a graduação, que seja por desejo, não por medo. E se ainda não for, tudo bem. Um ano sabático com propósito pode ensinar tanto quanto uma sala de aula. O importante é se manter em movimento, aprendendo, testando, ouvindo a si mesma.
Pedagogia, Medicina ou Direito não vão desaparecer, mas vão mudar. Vão precisar de mais do que técnica: empatia, ética, escuta. Professores usarão IA, advogados lidarão com dados e metaversos. O que importa não é a profissão, é que tipo de ser humano você será quando a exerce.
Não tema a tecnologia, dialogue com ela. Um algoritmo pode diagnosticar, mas só você pode olhar nos olhos. Talvez o futuro não seja “Medicina ou IA”, mas “Medicina com IA”. E isso vale para todas as áreas.
O meu conselho é: invista em habilidades, não em rótulos. Pensamento crítico, criatividade, empatia, comunicação. Nenhuma máquina vai te substituir nisso. E aprender a aprender será sempre a sua maior força.
Construa seu projeto de vida com lápis porque errar, apagar e reescrever é liberdade. Eu mesma comecei como datilógrafa, que hoje é profissão de museu. Depois, fui professora, consultora. A vida é generosa com quem se reinventa.
Se a pressão for grande, lembre-se: você não precisa salvar o mundo sozinha. Cuide do seu jardim e da sua saúde mental. O planeta precisa de você inteira.
No fim, siga fiel aos seus valores: justiça, afeto, generosidade, integridade. Eles são a sua bússola e vão te guiar quando o mar estiver revolto.
Você me pergunta o que fazer da vida e eu te devolvo: que problema do mundo, ou de Porto Alegre, você quer ajudar a curar? Porque é aí, filha, bem aí, que pode estar a sua vocação.
Não consigo prever o futuro, mas sei que ele também será escrito pelas suas mãos. E, onde você for, estarei aqui. Com colo, respeito, torcida e um café quentinho pra quando a vida apertar.
Com todo o meu amor,
Mamãe
Agora que você leu a carta, preciso te contar como ela nasceu
Essa carta foi gestada em diálogo com três inteligências artificiais (GPT, Gemini e DeepSeek) que simularam o papel de mães brasileiras com filhas de 17 anos. Mas cada vírgula foi filtrada pela minha experiência como educador, cientista e ex-jovem perdido dos anos 90.
Passei em primeiro lugar em Economia na UnB, mas larguei tudo no segundo semestre. Me formei em Publicidade e construí minha trajetória na educação. Se já era angustiante escolher o futuro naquela época, hoje é ainda mais.
Vivemos tempos instáveis. Os jovens carregam, junto com seus sonhos, o peso de um mundo incerto. Muitos adultos também se sentem perdidos sobre como orientar. Foi aí que me perguntei: como as IAs agiriam nesse lugar de cuidado e conselho?
Assim nasceu este abraço em forma de carta e, com ela, esta coluna.
Sou o Rafael, novo colunista e eterno curioso. Aqui, conversaremos sobre como navegar entre algoritmos e afetos, entre diplomas e dúvidas, entre o que herdamos e o que inventaremos. Sempre com o coração aberto, a escuta atenta e, sim, com a parceria de algumas IAs que me ajudam a pensar mais fundo.
É uma honra estar aqui. Espero que você me acompanhe.
Até a próxima.




