
Saí do Microsoft AI Tour em São Paulo com uma convicção clara: a corrida da inteligência artificial corporativa não será vencida por quem tem o modelo mais novo. Será vencida por quem combina inteligência com confiança.
E essa foi exatamente a mensagem central do palco.
Quem abriu o evento foi Judson Althoff, Chief Commercial Officer global da Microsoft, responsável pela estratégia comercial da companhia no mundo. Ele deixou claro que o AI Tour vai passar por mais de 40 cidades e alcançar mais de 100 mil pessoas globalmente.

Mas o que realmente importou foi o enquadramento: estamos entrando na fase da frontier transformation, em que IA deixa de ser apenas eficiência e passa a ser crescimento, criatividade e ambição humana.
A mudança de narrativa é estratégica.
Mas se inteligência e confiança são os pilares globais, no Brasil o terceiro pilar ficou evidente: capacitação.
Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, reforçou que os planos para o país seguem robustos, com quase 15 bilhões de reais destinados à expansão de data centers e infraestrutura. A lógica é clara: se a adoção acelerar, a capacidade precisa estar pronta.
Só que infraestrutura sozinha não resolve.
A Microsoft vem ampliando no Brasil o ConectAI, iniciativa focada em letramento digital e capacitação em inteligência artificial para profissionais, estudantes e pequenas empresas. A proposta é atacar o gargalo real da transformação: qualificação e letramento.
Segundo Priscyla, o primeiro passo dentro das empresas é disponibilizar IA para todos os funcionários . Reduz resistência, amplia entendimento e acelera adoção. O ConectAI entra exatamente nessa lacuna.
O programa combina:
- Trilhas gratuitas de aprendizado em IA generativa
- Capacitação para uso do Copilot, inclusive na versão gratuita Copilot Chat
- Formação para criação de agentes, mesmo para quem não é desenvolvedor
- Parcerias com instituições educacionais e organizações sociais
- Certificação para aumentar empregabilidade
Não é filantropia. É estratégia de ecossistema.
Se quase todos os engenheiros de software devem estar usando IA até 2028, como foi citado na em diversas palestras nos palcos paralelos, alguém precisa formar essa base. A Microsoft está investindo para acelerar essa curva no Brasil.
E aqui está um ponto que considero central.
Muitas empresas falam em IA como projeto de inovação. A Microsoft está tratando IA como política industrial de longo prazo. Infraestrutura de data center. Plataforma de desenvolvimento. Governança. E capacitação em escala.
O ConectAI é o lado menos barulhento, mas talvez o mais estratégico da equação. Porque o maior gargalo da IA hoje não é GPU. É gente preparada.
Priscyla foi direta ao afirmar que nenhuma empresa define sua estratégia para 2030 como ter 30% menos custo. Estratégia é ganhar mercado, crescer receita, ampliar margem.
Mas crescimento exige produtividade. E produtividade exige gente capacitada. A vantagem competitiva na era da inteligência artificial não será apenas técnica. Será estrutural e educacional.
No palco de São Paulo, Judson representou a visão global. Priscyla reforçou a execução local. E o ConectAI mostrou que a Microsoft entende que a batalha da IA não será decidida apenas em data centers e novas fontes de energia renovável, mas na formação de talentos.
E essa talvez seja a aposta mais inteligente de todas.






