
A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a operar como infraestrutura invisível do presente. Em diferentes setores da economia gaúcha, ela já gera valor real, reorganiza processos, redefine papéis e acelera decisões.
Para entender onde a IA realmente está hoje e para onde caminha em 2026, entrevistei alguns dos principais líderes do Estado, de mercados distintos. O resultado revela menos futurismo e mais pragmatismo: a IA não substitui pessoas, mas muda profundamente a forma como elas trabalham, decidem e criam valor.
Vejam abaixo a opinião de alguns líderes do nosso mercado:
Mercado financeiro e cooperativismo
Arthur Urdapilleta Wagner, gerente de desenvolvimento de negócios da Unicred do Brasil.
No cooperativismo financeiro, a IA já gera valor ao aumentar eficiência sem perder proximidade. Ela automatiza processos, melhora a gestão de risco e prevenção a fraudes, liberando tempo das equipes para pensar o negócio.
O uso inteligente de dados permite personalizar jornadas e fortalecer o relacionamento com os cooperados. A tecnologia escala a operação, enquanto as pessoas seguem cuidando de gente.
Mercado da saúde
Sandro Junqueira, diretor executivo do Hospital Mãe de Deus.
Na saúde, a IA já impacta fluxos assistenciais, segurança do paciente e análise preditiva de riscos, acelerando decisões e aumentando eficiência.
Até 2026, a tendência é ampliar aplicações integradas ao prontuário eletrônico e à educação permanente. A IA potencializa o cuidado, sem substituir o olhar humano.
Mercado de comunicação e eventos
Diego Vian Vinhas, diretor executivo da Combo Agência.
A IA já gera valor no planejamento, no marketing e na análise de comportamento do público, devolvendo tempo ao líder para decidir melhor.
Em 2026, ela deixa de ser diferencial e vira pré requisito operacional. O ganho real estará em unir tecnologia, cultura e liderança.
Mercado de educação
Marícia Ferri, diretora geral do Colégio Farroupilha.
Para 2026, o foco da educação deixa de ser adoção e passa a ser avaliação. O desafio é garantir que a IA estimule criatividade sem comprometer a autonomia de raciocínio dos alunos.
Governança e diretrizes éticas ganham protagonismo. O equilíbrio no uso da tecnologia precisa ser construído em conjunto entre escola e famílias.
Mercado contábil
Diego Passos, CEO da Zaine Gestão Contábil.
Na contabilidade, a IA automatiza rotinas, acelera análises e reduz erros, liberando o profissional para o estratégico.
Em 2026, será infraestrutura básica. Quem usar IA só para eficiência sobrevive, quem usar para inteligência lidera.
Mercado de seguros
Karen Romero, diretora comercial da Severo Romero Corretora de Seguros.
No mercado de seguros, a IA já gera valor ao automatizar cotação, emissão e gestão de sinistros, com mais agilidade e antifraude.
O avanço está em apólices mais claras e produtos personalizados conforme o perfil do segurado. A IA libera tempo para focar no que realmente importa.
Mercado do agronegócio cooperativista
Gelson Bridi, presidente da Cotricampo.
A IA já apoia o cooperativismo agro com dados para gestão, planejamento e tomada de decisão.
O próximo passo é consolidar seu uso no campo, ampliando produtividade e resultados com base em informação qualificada.
Mercado jurídico
Carolina Sanvicente, cofundadora e CEO da PSS Advogados.
No Direito, a IA já organiza informações complexas e apoia decisões mais qualificadas.
Em 2026, ela se torna estrutural, reposicionando o advogado para atuar mais na estratégia e menos no operacional.
Mercado esportivo e futebol
Alexandre Godoy, diretor de novos negócios do Internacional.
No Internacional, a IA apoia marketing, propostas comerciais e segmentação de patrocinadores.
Em 2026, passa a atuar diretamente na jornada do torcedor e na redução da inadimplência de sócios.
Leandro Figueiredo Magalhães, diretor de negócios do Grêmio.
A IA já melhora segmentação do torcedor, investimentos em mídia e eficiência comercial.
Até 2026, estará totalmente integrada à jornada do torcedor e às decisões estratégicas do clube.
Mercado de alimentação e restaurantes
Marcelo Borba, CEO do Grupo JPLP Galeto Mamma Mia.
A IA já apoia rotinas administrativas, marketing e análise de dados no setor de restaurantes.
O avanço estará em prever demanda, reduzir desperdícios e melhorar a experiência sem perder o toque humano.
Mercado da indústria e bens de consumo
Alexandre Heineck, sócio diretor da Docile Alimentos.
No mercado da indústria e bens de consumo, a IA já gera valor ao transformar dados em decisões mais rápidas, da previsão de demanda ao entendimento do comportamento do consumidor.
Na Docile, ela avança em eficiência operacional, inteligência de mercado e comunicação de marca. O diferencial está em usar a IA para liberar tempo, criatividade e foco das pessoas, potencializando emoção, experiência e conexão com o consumidor.
Mercado de varejo e shopping centers
Stelamaris Parenza Arenhardt, superintendente do BarraShoppingSul.
No shopping center, a IA já gera valor ao personalizar experiências e otimizar a operação, com uso de dados de comportamento de visita e consumo.
Ela avança em manutenção preditiva, gestão de energia e fluxo, transformando o shopping em um centro inteligente orientado por dados.
Sérgio Zukov, gerente geral do Pontal Shopping.
No varejo, a IA deixou de ser apenas atendimento automatizado e passou a atuar na leitura inteligente de dados, permitindo personalizar a jornada do consumidor e aumentar permanência e ticket médio.
Além da experiência do cliente, a tecnologia apoia decisões estratégicas como mix de lojas e gestão de vacância.
Mercado de hotelaria
Marcelo Marinho, diretor da Intercity Hotéis.
Na hotelaria, a hospitalidade segue como pilar central. A IA entra para agilizar processos e melhorar a experiência do hóspede.
Projetos como check in antecipado e concierge virtual liberam a equipe para focar no acolhimento, sem perder o fator humano.
Mercado do terceiro setor e impacto social
Michel Couto, CEO do Formô Hub.
Em 2026, a IA tende a ser tão básica quanto a internet foi nos anos 2000. No terceiro setor, ela já gera valor ao ampliar acesso ao conhecimento e acelerar processos de comunicação.
Quando usada de forma consciente, a IA não substitui pessoas. Ela potencializa ideias, organiza o trabalho coletivo e amplia oportunidades.
A leitura desses relatos mostra um padrão claro. A IA já não é mais sobre futuro, é sobre gestão. Onde gera valor, ela retira peso do operacional e devolve tempo para decisão, estratégia e relacionamento. Em 2026, a diferença não estará entre usar ou não IA, mas em como ela é usada. A tecnologia escala processos. O valor segue nas escolhas humanas.





