
Nos prometeram uma megarroda-gigante, lembra? Seria uma das maiores do mundo. Também anunciaram vilas temáticas — uma alemã, uma italiana, outra açoriana — para recriar um passado de imigração com fachadas pitorescas e cheiro de pão saindo do forno. Garantiram praças folclóricas, estação de trem, labirinto, mirante, e tudo deveria estar pronto desde o ano passado.
Já o parque dos dinossauros, com réplicas em tamanho real das espécies que viveram em Santa Maria, seria entregue em 2026 — junto com um museu de inovação e um restaurante monumental inspirado no Salto do Yucumã. Era de fazer inveja a Orlando esse projeto do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, o Harmonia. Mas, quatro anos depois, a frustração é constrangedora. E não só para quem, como eu, acreditou nesse devaneio.
O consórcio GAM3 Parks, que administra a área desde 2021, quando a prefeitura decidiu concedê-la à iniciativa privada, também lamenta o naufrágio do plano. Em resumo, dizem que há pouco interesse comercial no espaço. Quer dizer: os potenciais parceiros — restaurantes, lojas, atrações de lazer — têm receio de que o parque não atraia o público esperado. Por via das dúvidas, preferem ficar de fora, observando à distância.
— Se vocês soubessem o esforço que foi para ocupar os poucos metros quadrados que já construímos... Não foi fácil. A gente não pode sair edificando, edificando e, depois, pensar: "Tá, e aí? Quem é que vai ocupar?" — disse a arquiteta Carla Deboni, CEO da GAM3 Parks, em resposta a uma pergunta minha na Rádio Gaúcha.
Carla se referia às operações já instaladas no parque: cervejaria, hamburgueria, pizzaria, cafeteria e loja de suvenir. São estabelecimentos simpáticos — o parque todo, aliás, exibe agora um certo vigor, as obras obrigatórias estão concluídas, o Acampamento Farroupilha foi um sucesso —, mas isso é pouco para tirar do papel a grandiosidade do projeto que o consórcio apresentou anos atrás. A impressão é de que a GAM3 Parks acreditou sinceramente na própria utopia.
Só que a prefeitura acreditou também — porque queria, afinal, ver o Harmonia renascer. Mas, ao endossar uma fantasia sem ressalvas, abriu mão do papel que lhe cabia: o de proteger a cidade do deslumbramento. Em vez de cobrar viabilidade, preferiu vender esperança. Agora, quatro anos depois, colhe o mesmo constrangimento da cidade: o de ver o sonho desinflar devagarinho, como balão de inauguração esquecido no teto.




