
Os food trucks mal tinham aparecido e já sumiram na Avenida Goethe e no Viaduto da Borges. Oficialmente a prefeitura nega, mas, além de estimular as pessoas a ocuparem o espaço público, a tentativa de valorizar os food trucks era uma forma de evitar a concentração de moradores de rua em pontos estratégicos da cidade.
Tanto que, quando os sem-teto foram retirados do viaduto, em agosto, e da Goethe, em setembro, o Executivo logo ofereceu as duas áreas para a gastronomia itinerante. Só que até agora nenhuma deu certo.
– São locais que provaram não ser rentáveis para os comerciantes, devido ao baixo movimento – avalia o diretor de Promoção Econômica da prefeitura, Luís Antônio Steglich.
Presidente da Associação Gaúcha de Gastronomia Itinerante, Neno Guterres até confirma a escassez de público, mas nega ser esse o problema maior. Pelo contrário: segundo ele, desde que a nova lei dos food trucks foi aprovada na Câmara, em junho – obrigando os veículos a manterem distância mínima de 100 metros de qualquer bar ou restaurante –, todo lugar que aparece é lucro.
– A gente não tem mais onde operar. Quando a prefeitura abre esses espaços, a gente se atira – afirma Guterres.
Conforme ele, o sumiço dos food trucks ocorreu porque, tanto na Goethe quanto no Viaduto da Borges, os comerciantes dividiam R$ 1,4 mil por dia pelo aluguel de um gerador de luz. Como a venda de lanches era baixa, a atividade tornou-se economicamente inviável.
Mas os vendedores já solicitaram à CEEE uma ligação de energia exclusiva para eles. Depois de pagarem pelos postes de luz, os comerciantes passarão a dividir uma conta de R$ 2,5 mil por mês. Não há prazo para a instalação da CEEE, mas é provável que os food retornem à Goethe e ao Viaduto no início do ano.
Mesmo com o movimento baixo. Mesmo com outra lei boicotando o empreendedor.





