
O sol começava a descer em Porto Alegre, por volta das 20h de domingo (2), mas, no trecho mais movimentado da orla do Guaíba, não foi a explosão de cores a atração principal. Os olhares se voltaram para um homem de barba, com idade em torno de 30 anos, que circulava em meio à multidão exibindo uma pistola na cintura.
Seu objetivo era coibir um princípio de tumulto envolvendo jovens embaixo do mirante de aço. Com a mão direita, ele segurava a coronha – todos podiam vê-la, devido à camiseta levantada – e, com a mão esquerda, fazia sinal para que os ânimos se aplacassem. Não sacou a arma em momento algum. Mas assustou quem passeava por lá.
– Não havia motivo para aquilo. Teve uma briga entre duas gurias, uma puxando o cabelo da outra, mas em seguida o pessoal já separou. Dois garotos se estranharam também, começaram a se empurrar. Eram adolescentes, não tinham mais do que 16 anos – conta uma frequentadora que pediu para não ser identificada.
Ela, naquele momento, bebia uma cerveja a poucos metros da confusão, no Sheik Burger – lancheria vencedora da licitação para ocupar o primeiro bar da orla. E foi de dentro do estabelecimento que o homem armado saiu. Mas, segundo a proprietária, Soraia Rosso, não era um segurança particular: tratava-se, conforme ela, de um policial à paisana que consumia no local como um cliente qualquer.
Duas pessoas ouvidas pela coluna, no entanto, dizem que antes de sair o homem estava em uma área interna do Sheik, de acesso exclusivo a funcionários. Mas a versão de Soraia é diferente também em relação ao tamanho do tumulto:
– Era uma multidão de 150, 200 pessoas brigando desde as 17h. Ficaram umas três horas naquela brigaçada, uma coisa apavorante! Quebravam garrafas para usar como arma, vinham para cima dos clientes, foi horrível.
Vou levantar o máximo de informações para identificar quem era esse rapaz.
RODRIGO MOHR PICON
Comandante do 9º BPM
A empresária afirma ter chamado a Brigada, mas ninguém apareceu durante a tarde. Segundo o tenente-coronel Rodrigo Mohr Picon, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, o único registro ocorreu pelo 190, às 19h58min - horário próximo ao pôr do sol. Uma viatura teria chegado em poucos minutos, mas, quando os policiais se aproximaram, os envolvidos fugiram correndo.
– Vou levantar o máximo de informações para identificar quem era esse rapaz armado. Salvo em caso extremo, não pode usar arma para amedrontar ninguém – diz o tenente-coronel.
Já a Guarda Municipal, que tem um posto na própria orla, informou que não soube de tumulto algum. E o homem da pistola, até aqui, ninguém faz ideia de quem seja.






