
Começavam a preocupar os rumos que a orla do Guaíba tomava aos domingos. A impressão era de que o espaço público mais importante – e deslumbrante – da cidade, se nada fosse feito, aos poucos se converteria em uma nova João Alfredo.
Como ocorre nas noites de sexta e sábado na agitada rua da Cidade Baixa, jovens passaram a levar vodca e energético para a beira do Guaíba no domingo à tarde. Os excessos foram ganhando força: pequenos tumultos, brigas e vandalismo já incomodavam frequentadores e comerciantes.
No domingo retrasado (2), um homem chegou a circular em meio à multidão ostentando uma pistola na cintura: sua intenção era intimidar um grupo que iniciava uma confusão no local. Após a coluna mostrar o caso, a Brigada Militar o identificou como soldado da corporação – e uma sindicância foi aberta para apurar sua conduta.
A boa notícia veio neste domingo (9), quando a polícia fez o que precisava fazer. Brigadianos fardados atravessaram a tarde e boa parte da noite desfilando em cima de motos e cavalos no trecho mais movimentado da nova orla. O tenente-coronel Rodrigo Mohr Picon, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, não só reforçou o patrulhamento como decidiu rever o horário de trabalho da tropa:
– Agora, com o horário de verão, as pessoas ficam até a noite naquela área. Botei os policiais, então, a entrarem mais tarde e a saírem mais tarde.
Para completar, agentes da Guarda Municipal passaram o domingo se revezando embaixo do mirante de aço – apontado como o ponto mais crítico nas últimas semanas.
– Melhorou muito. Outro mundo. A maioria do pessoal que costuma fazer baderna desapareceu – conta Soraia Rosso, proprietária do Sheik Burger, lancheria que venceu a licitação para ocupar o primeiro bar da orla.
Tudo isso é o contrário do que houve na João Alfredo: ao demorar para incentivar a presença frequente da polícia – e ao demorar para multar quem transformava a rua em baile funk –, o poder público deixou a situação degringolar. Depois, para retomar o controle da via, partiu para intervenções traumáticas: bloqueios de trânsito, confrontos com frequentadores, novas regras para funcionamento de bares.
E ainda assim o cenário segue conturbado na João Alfredo. Porque nunca foi feito lá o que se faz agora na orla: prevenção. Ela é muito mais eficiente do que a repressão.






