O confronto de ideias e projetos dos quatro principais pré-candidatos à sucessão de Eduardo Leite no governo do Rio Grande do Sul, promovido nesta quinta-feira (6) pela Rádio Gaúcha e pelo Grupo RBS nas dependências da PUCRS, proporcionou ao público gaúcho uma primeira grande oportunidade para conhecer melhor os pretendentes ao cargo e para avaliar suas intenções. O encontro teve como principal ponto positivo o respeito e a civilidade entre os participantes, que, em nenhum momento, apelaram para acusações ou ofensas. Mas também evidenciou um aspecto preocupante para a população gaúcha: nenhum dos pré-candidatos fez qualquer menção a um plano de Estado que assegure uma política de longo prazo, apartidária e focada na solução dos problemas que efetivamente entravam o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Todos tocaram superficialmente nos temas essenciais a qualquer administração pública — saúde, segurança, educação e infraestrutura —, mas sem o aprofundamento de propostas inovadoras e compatíveis com a realidade do Estado. Cabe aqui, evidentemente, uma ressalva para as limitações impostas pelo tempo e pelo próprio formato da discussão, uma vez que o falante tinha que dar oportunidade de resposta para seu interlocutor.
Ainda assim, os candidatos poderiam ter anunciado projetos específicos e informado aos eleitores como eles poderiam conhecê-los mais detalhadamente. Poderiam, igualmente, ter dito o que efetivamente pretendem fazer para encaminhar demandas urgentes como o enfrentamento das ameaças climáticas, os gargalos da infraestrutura, as dificuldades do agronegócio e as questões ainda pendentes na saúde, na segurança e na educação.
Não faltaram ideias genéricas. O que faltou mesmo foi o “como” implementá-las, com que recursos, baseadas em quais exemplos bem-sucedidos e com quais parcerias. As entidades civis, organizações empresariais e associações classistas convidadas para acompanhar o debate, deram valiosa contribuição ao apresentar questões relativas às suas áreas de atuação. Mas também obtiveram apenas respostas genéricas, algumas delas totalmente alheias à questão formulada.
Ainda assim, o debate entre os pré-candidatos cujos partidos têm representação no Congresso e que também estão melhor colocados nas pesquisas de intenção de voto alcançou plenamente o principal objetivo proposto pelo Grupo RBS, que é o de oferecer subsídios consistentes para facilitar a vida dos eleitores na escolha de um novo governador para o Estado. Certamente os pretendentes ainda terão outras oportunidades para explanar mais detalhadamente suas propostas, tanto em apresentações pessoais quanto na propaganda eleitoral. É de se esperar que também tenham aproveitado o momento vivido para aprimorar a comunicação e para pensar num plano de Estado que efetivamente atenda aos anseios da população gaúcha pelo atendimento de suas demandas básicas, mas também por desenvolvimento continuado para o Estado.
Assim como fez nesta quinta-feira, o Grupo RBS também se propõe a continuar oferecendo, com isenção e transparência, espaços editoriais e oportunidades para que os eleitores decidam com liberdade e consciência quem escolherão para liderar o Estado pelos próximos quatro anos.

