O fato de o agronegócio ser um segmento determinante para o desempenho da economia gaúcha faz com que o tema mereça atenção especial na corrida para o Palácio Piratini. Nesta sexta-feira (28), véspera da abertura da 49ª Expointer, o Grupo RBS promoveu, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, um painel com candidatos ao governo do Estado cujos partidos têm representação no Congresso. Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) responderam a perguntas formuladas por representantes de algumas das principais entidades ligadas à agricultura e à pecuária.
Saúda-se que os postulantes a comandar o RS pelos próximos quatro anos demonstrem compreender a relevância do campo e dos demais elos da produção primária, conheçam os entraves estruturais e se comprometam a trabalhar para solucioná-los. Mas ainda será preciso que sejam mais objetivos e didáticos sobre os seus planos, notadamente em relação àquilo que pode ser executado ou coordenado pelo próprio governo gaúcho.
As dificuldades fiscais gaúchas limitam a construção de um programa robusto de irrigação
Instados, os aspirantes ao Piratini passaram por pautas como endividamento rural, irrigação, fundo constitucional do Sul, infraestrutura e logística, oportunidades ligadas à bioenergia e agregação de valor aos produtos da agricultura e da pecuária. Em alguns momentos, no entanto, transpareceu falta de domínio mínimo sobre determinadas temáticas. Restou tergiversar e recorrer a superficialidades.
Parte dos principais temas tratados pelos candidatos depende de políticas federais ou de ações articuladas em Brasília. Exemplos são as questões ligadas ao endividamento dos agricultores e a ideia de tentar prorrogar a volta do pagamento da dívida do Estado com a União, para que os recursos sejam utilizados em um plano ousado de expansão da área irrigada no RS. Não resta dúvida de que a agricultura gaúcha, em especial culturas como o milho e a soja, não pode contar apenas com a água da chuva. Estiagens e quebras de safra em sequência ajudam a explicar o baixo crescimento médio do PIB do Estado nas últimas décadas. Mas não será a vontade do futuro governador ou governadora que fará essa proposta sair do papel.
É inequívoco que quem governar o RS entre 2027 e 2030 precisará ser atuante na defesa dos interesses do Estado em Brasília, em articulação com a bancada gaúcha e em contato com o próximo presidente da República. Para isso, é necessário demonstrar capacidade de diálogo institucional, para passar por cima de eventuais diferenças ideológicas.
As dificuldades fiscais gaúchas limitam a construção de um programa robusto de irrigação ou que eleve as condições de competitividade de outras atividades, como de proteína animal, pecuária leiteira e orizicultura. Mas há formas de o Estado ser ator relevante por meio da proposição de aperfeiçoamentos legislativos, de políticas públicas que melhorem o ambiente de negócio e desburocratizem procedimentos, de concessões que qualifiquem a infraestrutura e da organização e promoção comercial de cadeias produtivas. Um exemplo de potencial mal explorado é o da carne bovina gaúcha, diferenciada pela genética do rebanho e pelo sistema de produção em harmonia com o bioma pampa. Assim, aguarda-se maior clareza dos candidatos ao Piratini sobre o que farão pelos próprios meios e como suas promessas serão viabilizadas.




