O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado na última quarta-feira pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), traz notícias mais animadoras para o país e para o Rio Grande do Sul, em particular.
Embora o Brasil continue muito abaixo dos países desenvolvidos e ocupando uma posição apenas mediana no ranking do Índice de Resultados Escolares (IRE) da América Latina, atrás do Chile, do Uruguai e do Peru, o Ideb 2025 demonstra que vários Estados estão avançando e recuperando a qualidade perdida por conta da pandemia e também do descaso histórico de alguns governantes com a política educacional. Nesse contexto, vale registrar a ascensão do Rio Grande do Sul, com desempenho igual ou acima da média nacional e crescimento em todas as etapas do ensino no comparativo com a aferição de 2023.
Principal indicador de qualidade do ensino no país, o Ideb baseia-se nas provas de matemática e língua portuguesa do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e nas taxas de aprovação das redes pública e particular. Entre as redes públicas estaduais, o Rio Grande do Sul registrou o maior aumento de Ideb entre 2023 e 2025, juntamente com o Rio Grande do Norte.
Nas provas do Saeb, os estudantes gaúchos apresentaram melhora considerável: no Ensino Médio, a nota passou de 3,4 em 2023 para 4,7 em 2025; nos anos finais do Fundamental, do 6º ao 9º ano, o índice subiu de 4,7 para 5,4; nos anos iniciais, do 1º ao 5º ano, a média gaúcha passou de 5,8 para 6,4. A taxa de aprovação no Ensino Médio também registrou notável avanço, deixando o RS em quinto lugar no ranking nacional. Em 2019, era uma das piores do país.
A melhora de desempenho dos estudantes rio-grandenses tem relação com as políticas educacionais implementadas no Estado depois da pandemia, inclusive com a instituição do sistema de progressão parcial adotado no ano passado para reduzir as taxas de reprovação e evasão. Pelo modelo, os alunos avançam de ano mesmo com reprovação em até quatro disciplinas. No último ano, quase 10 mil estudantes gaúchos passaram graças à progressão parcial.
Apesar dos questionamentos, essa estratégia e outros incentivos estão ajudando a reduzir a evasão. Mas o Rio Grande do Sul e o país ainda estão longe de superar mazelas históricas da educação brasileira, como o baixo aprendizado e a defasagem idade-série.
Nas principais avaliações internacionais, o Brasil continua ocupando posições subalternas. Na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) –, que avalia jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências, o país ficou, respectivamente, nas posições 52ª, 65ª e 61ª entre 81 países avaliados. Mais da metade dos estudantes ficou abaixo do nível mínimo esperado para as habilidades testadas.
Como sair desse brete e avançar? Uma das recomendações do movimento Todos pela Educação é investir mais na formação, na valorização e na produtividade de professores.



