O Rio Grande do Sul vai enfrentar a partir desta quinta-feira (16) um quadro de mudanças drásticas nas condições do tempo. O frio das últimas semanas dá lugar ao calor e, em seguida, as altas temperaturas também serão combustível para temporais intensos. A chuva, resultado de um corredor de umidade que se aproxima desde o norte do país, deve se prolongar pelos próximos dias. Sob a influência do novo El Niño, que começa a se fortalecer, o Estado pode ser castigado por precipitações volumosas, rajadas de vento de até 100 quilômetros por hora, raios e granizo. A partir da situação de alerta vigente, órgãos oficiais, concessionárias de serviços públicos e a própria população devem permanecer atentos às atualizações das informações pelos institutos de meteorologia e pelas defesas civis.
O evento climático extremo que se avizinha - caso se confirmem as previsões mais recentes - pode ser uma espécie de teste sobre o quanto o Rio Grande do Sul evoluiu em termos de preparação e adaptação para situações do gênero. Não se trata aqui de fazer paralelo com a enchente de 2024. Inexiste motivo para pânico. Mas cumpre lembrar que o novo El Niño tende a ser bastante intenso e o fenômeno já costuma fazer o Estado ser atingido por chuvaradas e temporais, em especial na primavera.
São eventos que, mesmo sem abrangência generalizada ou magnitude dramática, costumam causar transtornos, estragos e prejuízos onde ocorrem. Os exemplos são recentes. Entre o final de junho e o início de julho, dezenas de municípios do norte do Estado enfrentaram chuvas intensas, transbordamentos de rios e alagamentos em áreas urbanas. No último sábado, Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, sofreu com precipitações fortes, vento intenso e granizo. Mais de 700 pessoas, surpreendidas pela violência do temporal no final da madrugada, tiveram de sair de casa.
Diante da advertência de que o El Niño em curso pode ser histórico, não se pode descartar uma temporada com grande número de eventos extremos. É preciso estar preparado para mitigar os riscos. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia e a Defesa Civil do Estado, o cenário dos próximos dias pode ser de episódios de ventos fortes, chuva de até 100 milímetros diários em alguns locais e ocorrência de granizo, com consequências como corte no serviço de energia, enxurradas, destelhamentos, queda de árvores e estragos em lavouras.
Não há dúvida de que o Rio Grande do Sul está mais equipado com tecnologia para uma previsão do tempo acurada e preparado para disparar avisos e alertas. As defesas civis do Estado e dos municípios foram robustecidas e estão mais bem treinadas. Na própria população ampliou-se a consciência sobre os riscos. Concessionárias de água e de energia também não podem mais alegar surpresa e devem se mostrar aptas, com equipes, veículos e maquinário, a atender ocorrências com agilidade e restabelecer serviços com maior rapidez na comparação com anos anteriores. A preparação do Estado para um possível período de tormentas pode estar prestes a ser colocada à prova.


