Apesar de a evolução dos números impressionar, persiste a sensação de que partidos e candidaturas ainda não despertaram para o fenômeno do envelhecimento dos brasileiros. Essa transformação se reflete no perfil do eleitorado, cada vez mais maduro e esperando ouvir propostas que contemplem políticas voltadas a melhorar a qualidade de vida desse estrato da população.
Projeção da Nexus, empresa de pesquisa e inteligência de dados, indica que em 2026 os idosos serão 29,3% dos eleitores gaúchos neste ano
No pleito municipal de 2008, eram 1,3 milhão de idosos aptos a votar no Estado, indicam as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na última vez que os gaúchos foram às urnas, há dois anos, a quantidade subiu para 2,4 milhões. Em 16 anos, portanto, o eleitorado 60+ cresceu 84% e, em termos de participação, passou de 17% para 27%. Divulgada no mês passado, uma projeção da Nexus, empresa de pesquisa e inteligência de dados, indica que em 2026 os idosos serão 29,3% dos eleitores gaúchos. É a maior taxa do país.
Não se trata apenas de pensar estratégias de campanha para conquistar corações e mentes de um público que é capaz de decidir uma eleição. A referência aqui é à necessidade de proposições consistentes, que melhorem ou, no mínimo, dificultem menos o cotidiano de milhões de brasileiros em uma série de áreas. São pessoas com experiência de vida. Testemunharam diferentes ciclos da vida nacional. Atravessaram diversas eleições e períodos autoritários. Acumularam vivências e frustrações que lhes permitem diferenciar promessas vazias de compromissos firmes e factíveis.
Uma população com mais idosos e de longevidade crescente vai exigir do poder público maior atenção a temas como saúde e previdência. Em nível nacional, espera-se que, nos próximos anos, os serviços do INSS deixem de ser um suplício e o órgão se livre dos focos de malfeitos. É preciso pensar no cotidiano, como a mobilidade urbana melhor adaptada a um público que enfrenta o declínio motor. Mas também, fugindo de estereótipos e do etarismo, ter noção de que o público 60+ está mais ativo, pratica exercícios, é ávido por convivência social e será cada vez mais presente também no mercado de trabalho. São tarefas que cabem não apenas aos governos, mas aos legisladores.
De volta à perspectiva eleitoral, há outros aspectos que chamam atenção. A abstenção dos idosos, embora na média seja maior, tem apresentado queda, enquanto na população em geral vem subindo nas últimas eleições. Convém lembrar que o voto passa a ser facultativo a partir dos 70 anos. Ou seja, cresce a disposição do eleitorado prateado de dar o exemplo, cumprir o dever cívico do voto e exercer a sua cidadania. O Rio Grande do Sul também se sobressai nesse ponto. No pleito de 2022, a taxa de comparecimento da faixa de 60 a 69 anos, em que o voto ainda é obrigatório, foi de 89,5%, a maior do Brasil. Entre todos os habilitados gaúchos, o percentual foi de 80%.
O eleitorado 60+, portanto, está mais engajado e é cada vez maior. Cresceu 74% desde 2010, enquanto o total de votantes aptos no país subiu apenas 15%. Não é nem questão de deixar de negligenciá-lo, mas de perceber que esse público pode ser decisivo para o êxito ou o fracasso de candidaturas.





