A recuperação do dinamismo do Rio Grande do Sul passa, em boa medida, pela diversificação de sua matriz econômica. Merece olhar especial o incentivo à produção de tecnologia e ao empreendedorismo orientado ao desenvolvimento de novas soluções. É nesse sentido que deve ser saudada a entrega, nesta quarta-feira (20), do Passo Fundo Valley, o distrito de inovação da Universidade de Passo Fundo (UPF). A iniciativa confirma a vitalidade do município do norte gaúcho que, ancorado no agronegócio, mas também impulsionado por seus ativos educacionais, se firma como um modelo de prosperidade no Estado.
A atração de empresas para o ambiente universitário traz uma série de vantagens
A iniciativa, explica a universidade, recebeu um investimento total de R$ 13 milhões. Desse total, R$ 10 milhões foram obtidos com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os outros R$ 3 milhões foram aportados pela própria UPF. O novo complexo, em uma área de 10 hectares, amplia em cerca de 75% a estrutura do UPF Parque, que já cumpria esse papel de acolher ideias transformadoras, viabilizá-las e conectá-las à realidade empresarial.
O projeto surge com a proposta de integrar a universidade com seus professores, pesquisadores, alunos e laboratórios a empresas, startups e poder público, potencializando o ecossistema local de inovação. A finalidade é transformar a geração de ideias e de novos saberes em soluções aplicadas no dia a dia. Ganham a universidade, as companhias, os estudantes engajados, os profissionais envolvidos na pesquisa e a economia da região. Foi da conjunção de oferta de capital humano qualificado, presença da academia e empreendedorismo, afinal, que floresceram polos que expandiram as fronteiras da tecnologia, como o Vale do Silício, na Califórnia, berço de gigantes globais da área.
A atração de empresas para o ambiente universitário traz uma série de vantagens. As projeções são de que o Passo Fundo Valley pode criar mais de mil postos de trabalho diretamente vinculados à produção tecnológica, à pesquisa e à inovação, com projetos destinados às mais diferentes áreas, do agronegócio à saúde, da engenharia ao design. São vagas qualificadas, que exigem formação sólida, espírito criativo e curiosidade para perseguir descobertas. A iniciativa tem grande potencial, portanto, de reter e atrair talentos, fomentar o empreendedorismo e tornar a cidade referência no interior do país.
Esse é também um desafio do RS. O adensamento dessas cadeias é uma forma de estancar a evasão de cérebros e até reverter o fluxo, fazendo com que mais jovens percebam que é possível ter um futuro profissional promissor em solo gaúcho, sem precisar migrar para centros maiores. Na busca por fortalecer setores tradicionais e encontrar novas vocações, o Estado eleva nos últimos anos a aposta na economia do conhecimento. Essa propensão é visível com o surgimento e a consolidação de parques tecnológicos, incubadoras e hubs de inovação. O Passo Fundo Valley confirma essa tendência, que terá ainda melhores efeitos se ocorrer de forma descentralizada, abrangendo outros pontos do mapa gaúcho. O Rio Grande do Sul não precisa apenas de um novo ritmo de desenvolvimento. Precisa que a prosperidade ocorra de forma mais parelha entre as suas regiões.



