Novos prognósticos climáticos conhecidos nos últimos dias reforçam a possibilidade de um El Niño intenso no segundo semestre. Como é de amplo conhecimento, é um evento associado à elevação do volume de chuva no Rio Grande do Sul, em especial na primavera. Os traumas e as lembranças da catástrofe de maio de 2024 e das enchentes de 2023 permanecem vivos nas memórias dos gaúchos.
Ainda que não exista certeza sobre a magnitude do fenômeno que está por vir, é mandatório tentar acelerar as obras de prevenção às cheias no Estado para, dentro do possível, minimizar o risco de prejuízos e tragédias.
Nesse sentido, é oportuno que governo gaúcho e prefeituras de municípios de regiões afetadas reforcem o alinhamento de estratégias para enfrentar o El Niño que se avizinha. Foi o que fizeram na segunda-feira o governador Eduardo Leite e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, em um encontro que tratou dos sistemas de proteção da Capital. A colaboração estreita é indispensável. O Estado também tem recursos alocados em projetos para reforçar o anteparo à cidade.
Cabe ainda que as concessionárias de energia comecem a ser cobradas sobre planos de prevenção e pronta resposta
Convém ressaltar que a enchente de 2024 não foi causada apenas pelo El Niño. Outros fatores, como um bloqueio atmosférico e um aquecimento anômalo das águas do Atlântico Sul, se somaram para desencadear o evento extremo mais destruidor já visto no país. Não há razão neste momento para pânico. Mas se sabe que o aquecimento global vem potencializando os fenômenos climáticos. Diante da incerteza, resta ser previdente e se antecipar.
O prefeito da Capital deve apresentar na quinta-feira o plano de contingência do município diante do aumento das chances de um El Niño forte ou muito forte no segundo semestre. Diques vêm sendo reformados, comportas são fechadas e casas de bombas recebem requalificação, mas o trabalho está longe de ser dado por concluído. O colunista Jocimar Farina informou ontem que uma das iniciativas é uma obra emergencial, a ser executada até setembro, para salvaguardar de inundações a zona norte de Porto Alegre e pontos nevrálgicos como o aeroporto Salgado Filho. Também seriam instaladas bombas flutuantes, acionadas em caso de alagamento. O custo, de R$ 30 milhões, seria dividido entre prefeitura e Piratini. É conhecida a vulnerabilidade daquela região. Assim, é correto priorizá-la. Espera-se que os trabalhos consigam ser executados no tempo previsto, de forma célere e livre de entraves, mas sem perda de qualidade do serviço. Para isso, órgãos ambientais e Ministério Público precisam ser incluídos no processo.
O jornal Pioneiro, na edição desta terça-feira (21), também mostrou como municípios da Serra se preparam para evitar novos estragos diante da possibilidade de El Niño intenso no segundo semestre. A contenção de encostas é uma das principais preocupações diante do grande número de casos de movimentos de massa dois anos atrás.
Cabe ainda que as concessionárias de energia comecem a ser cobradas sobre planos de prevenção e pronta resposta. Se um período de temporais se confirmar, aguarda-se que desta vez mostrem-se ágeis no atendimento aos clientes.

