Salta aos olhos o crescimento do empreendedorismo feminino no país nos últimos anos. A edição de sexta-feira do jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, mostra um avanço significativo na quantidade de mulheres à frente de novos negócios na principal cidade da serra gaúcha, um movimento em linha com os dados nacionais. Neste ano, elas foram responsáveis por 44,7% dos novos CNPJs abertos, conforme a Sala do Empreendedor, da prefeitura. No ano passado, a participação ficou em 34,4%.
É inequívoco e irrefreável o ganho de terreno feminino no mercado de trabalho, na iniciativa de criar os próprios negócios e em posições de liderança corporativa
A busca de um número maior de mulheres por prosperar por conta própria é um sinal de amadurecimento da sociedade brasileira, ainda que persistam iniquidades de gênero e barreiras culturais. Significa novos passos na direção civilizatória da autonomia feminina no mundo do trabalho, com protagonismo e liderança. Todo empreendedor no Brasil enfrenta percalços como burocracia e dificuldade para acesso a crédito apropriado, entre outros. As mulheres têm a carga adicional do machismo, que ainda existe, além do desafio de conciliar a dedicação profissional com a vida familiar.
Os números são eloquentes. Indicam que, a despeito dos obstáculos, o empreendedorismo feminino é uma força emergente no país, com o Rio Grande do Sul puxando a tendência. Há outras evidências promissoras. Entre elas, a que mostra um avanço na escolaridade das empreendedoras. É um indicativo de maior preparo para montar um negócio. Possivelmente também aponta para um maior número de empresas que nascem com planejamento, a partir de uma oportunidade de mercado identificada, e não por necessidade. Isso significa maiores chances de sobrevivência e de a atividade progredir – gerar mais empregos e renda, colaborar para o crescimento da economia e servir de exemplo.
No final de março, o Sebrae informou que o surgimento de negócios capitaneados por mulheres bateu recorde no país no ano passado. Foram registrados 4,96 milhões de novas micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais(MEIs). Desse total, 2 milhões por iniciativa feminina – em torno de quatro em cada 10. O número é 320 mil superior a 2024.
O Rio Grande do Sul, reconhecido pela veia empreendedora da população, se destaca. Tem a segunda maior participação de mulheres na abertura de pequenas empresas (43%) e de MEIs (44%).
Em um recorte temporal maior, a ascensão feminina fica mais evidente. Em 2015, o país tinha 8,2 milhões de donas de negócios. Ao final do ano passado, o número chegou a 10,4 milhões. O crescimento de 27% no período é 16 pontos percentuais superior ao verificado entre os homens.
Outro achado que desperta atenção é o da escolaridade. De 2012 a 2025, o percentual de empreendedoras com ao menos Ensino Superior incompleto subiu 18,6 pontos percentuais. O nível de instrução feminino, no geral, é superior ao masculino.
Ainda há um caminho longo a trilhar e distorções a corrigir, como o salário mais baixo em relação aos homens para igual função e esforços redobrados para provar ter a mesma competência. Mas é inequívoco e irrefreável o ganho de terreno feminino no mercado de trabalho, na iniciativa de criar os próprios negócios e em posições de liderança corporativa.




