O vigor da agropecuária nacional e dos demais negócios ligados ao campo não para de surpreender. A força do setor aparece outra vez nos números do PIB do agronegócio do país, apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA). O resultado de 2025, divulgado nesta terça-feira (28), mostra um crescimento de 12,2% sobre o exercício anterior, alcançando o valor nominal de R$ 3,2 trilhões.
O avanço na produtividade é constante e faz o país, ano a ano, assumir novas posições de liderança
O desempenho elevou o peso do agro no PIB brasileiro. Passou de 22,9%, em 2024, para 25,13%. Ou seja, um quarto das riquezas produzidas no país em 2025 teve relação com o meio rural, desde a produção dentro das propriedades, passando pelos negócios com insumos e bens industriais, até os serviços vinculados à agricultura e à pecuária.
O agronegócio se consolida como a atividade mais competitiva do Brasil. Isso é fruto da dedicação de quem labuta na terra, da crença no valor da pesquisa e da incorporação acelerada de tecnologia, potencializando as vantagens naturais de clima e solo. O avanço na produtividade é constante e faz o país, ano a ano, assumir novas posições de liderança. É o maior exportador de carne bovina e de frango. Na soja, é o principal produtor e primeiro em vendas externas. Em 2025, ultrapassou os EUA e tomou a ponta no comércio de algodão. No café, o topo do pódio é antigo. No milho, vem ameaçando a hegemonia norte-americana no comércio.
Bater recorde atrás de recorde virou rotina e tudo indica que, na safra 2025/2026, nova marca inédita virá. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos pode chegar a 356,3 milhões de toneladas, 4,1 milhões a mais ante o ciclo anterior.
Embora o ramo agrícola ainda responda por cerca de dois terços do PIB, foi o braço pecuário que brilhou em 2025. Cresceu 32,55%, com aumento de produção e recuperação de preços. Convém reforçar que em ambos os segmentos estão incluídas as cadeias de insumos, bens industriais e de serviços, o que potencializa a capacidade do agro de gerar negócios, emprego e renda.
Ainda que a contragosto, é dever registrar que o desempenho geral do RS no ano passado contrastou. Levando-se em consideração apenas a agricultura e a pecuária, sem considerar os demais elos, o campo teve um recuo de 6,8%, conforme o Departamento de Economia e Estatística (DEE) do Estado, enquanto no país o crescimento foi de 11,7%, de acordo com o IBGE. Foi o reflexo de mais uma estiagem. Neste ano, a Emater prevê uma safra de grãos de 32,8 milhões de toneladas, 24% acima do ciclo 2024/2025. Assim, é de se esperar que, em 2026, o RS colabore para um novo desempenho recorde do agronegócio nacional.
Mas é preciso admitir que o Estado segue distante de alcançar a adaptação necessária às estiagens recorrentes, o que possibilitaria deixar de destoar dos resultados nacionais de forma tão frequente. Nesse meio tempo, deve-se insistir, em Brasília, em uma fórmula aceitável para a renegociação das dívidas dos agricultores gaúchos afetados por secas sequenciais. O RS, pioneiro do agronegócio brasileiro, é digno de uma chance para se reerguer.


