Os números do mercado de trabalho em 2025, conhecidos nos últimos dias, mostram que ainda há apetite dos empregadores por contratações. Mudanças estruturais também asseguram maiores possibilidades de encontrar ocupação. Ao mesmo tempo, os dados indicam uma certa perda de fôlego nas contratações e reforçam a importância de o país ter uma agenda consistente para ampliar a produtividade dos brasileiros. Ou seja, um aumento da produção por hora trabalhada.
O problema é que esse indicador está praticamente estagnado nos últimos 20 anos.
Conforme o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, foram criados no ano passado 1,28 milhão de vagas com carteira. É um resultado 23% abaixo de 2024 e o pior desde 2020, quando eclodiu a pandemia. Já a taxa média de desemprego, apurada pelo IBGE, indicador em que ocupações informais estão incluídas, encerrou 2025 em 5,6%, a menor da série histórica, iniciada em 2012.
Os números em si, sem dúvida, são positivos. Inquieta, no entanto, a constatação de que o país deve continuar a abrir vagas em ritmo cada vez menor devido à demografia. O envelhecimento da população aponta para uma saída maior de pessoas da força de trabalho, sem reposição à altura de jovens. Ademais, esses jovens estão postergando a busca por trabalho, por estarem estudando mais _ esse ponto é benéfico, mas impacta os números imediatos do desemprego por significar menos indivíduos atrás de ocupação.
Outras alterações estruturais da economia afetam os números. Uma delas é a plataformização. Quem tinha dificuldade de se encaixar em uma vaga formal passou a encontrar facilmente uma forma de obter renda ao trabalhar por meio de plataformas digitais, como de motorista ou entregador de motocicleta e até de bicicleta. São ocupações, no entanto, que exigem menor qualificação.
Por outro lado, a informalidade segue alta. Conforme o IBGE, a taxa entre os ocupados no país em 2025 foi de 38,1%. Estudos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), apontam que a produtividade dos informais é significativamente menor ante os formais.
Economistas reiteram que, com o fim do período de bônus demográfico _ quando a proporção de pessoas em idade de trabalhar é maior do que a de dependentes, como crianças e idosos _, o crescimento sustentável nas décadas seguintes exige elevação da produtividade do trabalho. O problema é que esse indicador está praticamente estagnado nos últimos 20 anos. Um trabalho publicado no ano passado pelo Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da FGV, mostrou que, entre 1995 e 2004, apenas a agropecuária teve um desempenho robusto, com avanço médio de 5,8% ao ano. Não à toa firmou-se como setor mais competitivo do Brasil. A indústria teve um recuo de 0,3%, e os serviços uma variação de apenas 0,2%.
Elevar a produtividade do trabalho impõe ir além do aumento da escolaridade. Requer qualificar o ensino para formar capital humano capaz de gerar maior riqueza por tempo dedicado a tarefas. Ao mesmo tempo, inclui aposta na inovação e em condições para ampliar investimentos que signifiquem incorporação de tecnologia, com eficiência como resultado. Em um ano de eleição presidencial, deveria ser um tema central de campanha.


