As estatísticas do Ministério do Turismo sobre o ingresso de estrangeiros no Rio Grande do Sul em 2025 impressionam. O Estado foi a porta de entrada de 1,53 milhão de visitantes de outros países no ano passado, um crescimento de 74% sobre 2024. O território gaúcho foi o terceiro principal ponto de acesso de viajantes de outras nações no país, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro. No ano anterior, era o quarto.
O número de uruguaios também foi considerável: cerca de 300 mil, ante 220 mil no ano anterior.
Os números indicam que o turismo tem o potencial de ter um peso ainda maior na economia do RS se existirem ações para o Estado ser mais escolhido como destino do que como mero ponto de passagem. Sabe-se, por exemplo, que uma quantidade significativa de turistas dos países limítrofes ingressa de carro pelas fronteiras gaúchas e se dirige ao litoral catarinense. Tanto as praias do RS podem ser mais percebidas como alternativa para o veraneio como outras regiões turísticas têm atrativos para serem reconhecidas ao menos como opção de lazer no meio do caminho até a parada final.
O painel de dados da Embratur aponta que, no ano passado, 1 milhão de argentinos entraram no Estado por via terrestre. O aumento foi de 90% sobre 2024. Muito se deve, é verdade, à estabilização da economia da Argentina e à valorização do peso. O número de uruguaios também foi considerável: cerca de 300 mil, ante 220 mil no ano anterior. A proximidade favorece.
Caso a Argentina não volte a ser abatida por mais um desastre econômico, o fluxo tende a se manter. Mas ainda há o que ser feito para melhorar a experiência dos visitantes dos países vizinhos. A duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, que se arrasta desde o início da década passada, precisa ser finalizada sem novos atrasos. A nova promessa é 2027. O mesmo se espera da BR-290, em obras também lentas, mas apenas entre Pantano Grande e Eldorado do Sul. Entre Buenos Aires e São Paulo, o trecho da Fronteira Oeste à Região Metropolitana é o único em pista simples. Também será positivo se forem adiante os planos do Piratini de duplicar a Estrada do Mar (RS-389).
Ainda na infraestrutura, é essencial avançar no saneamento. Manter a balneabilidade das praias gaúchas, evitando problemas que se repetem em Estados vizinhos, como infecções gastrointestinais, pode ser um trunfo. Reportagem publicada em 22/1 em Zero Hora mostrou que, nos municípios dos litorais Norte e Médio, sete em cada 10 imóveis não têm ligação com esgoto. Apenas em Torres (87%) e Capão da Canoa (62%) o índice ultrapassa 50%. Trata-se também de uma necessidade para a crescente população local. O censo demográfico de 2022 mostrou que, dos 10 municípios gaúchos que mais ganharam habitantes, sete são do Litoral Norte. O planejamento urbano, a expansão imobiliária e o incremento de outros serviços públicos, da saúde à segurança, também são desafios.
Outra reportagem recente, veiculada no último fim de semana em Zero Hora, aponta que, segundo a Secretaria de Turismo do Estado, os negócios relacionados ao verão movimentaram R$ 5,8 bilhões na temporada 2024/2025, mais do que o dobro da estação 2019/2020, antes da pandemia. A retenção de uma quantidade maior de turistas estrangeiros é capaz de estimular ainda mais a economia gaúcha, e não apenas nas regiões litorâneas.





