Merecem atenção os resultados da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados na quarta-feira, com dados de 2024. Trata-se de um levantamento realizado desde 2006 pelo Ministério da Saúde. A linha do tempo demonstra um quadro inquietante de aumento constante da prevalência de excesso de peso e de obesidade na população adulta das 26 capitais estaduais e do Distrito Federal. São fatores associados às chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem males cardiovasculares e pulmonares, câncer e diabetes, entre outras enfermidades.
São conclusões que reforçam a importância de incentivar exercícios físicos e uma alimentação mais saudável
A frequência de adultos com excesso de peso subiu de 42,6% em 2006 para 62% dois anos atrás. No caso da obesidade, o percentual passou de 11,8% para 25,7% no período. Inquieta, de forma especial, na faixa mais jovem pesquisada, entre 18 e 24 anos. Nesse recorte etário, os índices de excesso de peso dobraram e os de obesidade triplicaram.
As DCNTs estão entre os maiores problemas de saúde pública no mundo e no Brasil. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram responsáveis por 75% das mortes globais em 2021. No Brasil, estiveram por trás de 54% dos óbitos em 2023. Quase a metade foi considerada prematura.
É preciso um olhar atento, portanto, para os fatores relacionados às DCNTs. Entre os principais, estão questões comportamentais, como a má alimentação, a falta de atividade física, o tabagismo e o uso nocivo de álcool. Como os determinantes são passíveis de prevenção, é preciso incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis e a prática de exercícios físicos.
O consumo de frutas e hortaliças, por exemplo, patina. O percentual de adultos que tinham por hábito comer essa classe de alimentos, inicialmente de 33%, ficou em 31,4%. O levantamento sobre o consumo de ultraprocessados, por outro lado, sofreu uma alteração na metodologia, e os resultados atuais não são comparáveis à série história. As conclusões, porém, mostram que os porto-alegrenses não têm os melhores hábitos. Entre os homens moradores da capital gaúcha, 36% disseram ter ingerido cinco ou mais grupos ultraprocessados no dia anterior à entrevista. É o segundo maior percentual entre as cidades analisadas. Nas mulheres, a taxa chegou a 30%, a maior da pesquisa.
No quadro nacional, também salta aos olhos a mudança de tendência no tabagismo. As taxas estavam em queda desde 2006, mas voltaram a subir nas últimas duas edições do levantamento. No entanto, a pesquisa não é feita apenas de conclusões alarmantes. A prática de atividades físicas no tempo livre subiu de 30,3% para 42,3% no período analisado. No fim das contas, porém, a frequência de adultos com diagnóstico de hipertensão aumentou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024. No caso do diabetes, variou de 5,5% para 12,9%.
Resta claro que acende um alerta em especial sobre a população mais jovem. Outras pesquisas mostram aumento da obesidade em crianças e adolescentes. São conclusões que reforçam a importância de incentivar exercícios físicos e uma alimentação mais saudável. Caso contrário, à frente o sistema público de saúde ficará sobrecarregado com mais brasileiros com doenças crônicas e sem uma qualidade de vida desejável.


