A nova chance para a indústria naval se consolidar em Rio Grande está alinhada às necessidades do Estado de diversificar a sua matriz econômica e de descentralizar o crescimento. A cerimônia de assinatura do contrato da Petrobras com a Ecovix para a construção de cinco navios gaseiros, no valor de R$ 2,2 bilhões, nesta terça-feira, tem a relevância de esta ter sido a segunda encomenda garantida pela empresa em cerca de um ano. Em novembro de 2024, a Ecovix, proprietária do Estaleiro Rio Grande, já havia vencido outra concorrência de R$ 1,6 bilhão da estatal para iniciar a montagem de outras quatro embarcações utilizadas para transportar derivados de petróleo. O essencial é que, desta vez, sem euforia ou ufanismo governamental, o polo naval da Zona Sul se mostre sustentável e competitivo e continue a conquistar novos contratos e cumprindo compromissos assumidos.
A expectativa da Ecovix é de que, em 2027, o número de trabalhadores chegue a 4 mil
Defensor do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve em Rio Grande, tornou a orientar a Petrobras a considerar a indústria nacional na construção de navios e plataformas. A experiência anterior, com o auge entre 2007 e 2013 em Rio Grande, foi marcada por um frenesi seguido de um fracasso retumbante. O polo naval gaúcho chegou a ter 12 mil trabalhadores e a promessa de um horizonte dourado de progresso que se esparramaria por outros setores da manufatura, da construção civil, do comércio e dos serviços. O sonho se transformou em pesadelo pelo alto nível de conteúdo local exigido, por atrasos de produção e pelos escândalos que vieram à tona com a Operação Lava-Jato e atingiram em cheio a Petrobras e os estaleiros. Ao fim, restaram as demissões em massa e a quebradeira das empresas do setor.
O mínimo a se esperar é que os erros do passado tenham servido de aprendizado. É o que prometem os envolvidos nessa nova empreitada. As concorrências foram internacionais e não houve exigência de conteúdo nacional. Mas há o uso do Fundo de Marinha Mercante para financiar os estaleiros nacionais, o que ajuda na competitividade. Garantem ainda que não haverá uma ambição desmedida que se mostre inexequível e acabe em mais uma frustração.
A expectativa da Ecovix é de que, em 2027, o número de trabalhadores chegue a 4 mil. É distante do pico observado no ciclo anterior. Mas o essencial é que se mostre relativamente estável, com a perenidade das operações. O Estaleiro Rio Grande, aliás, tem uma infraestrutura única na América Latina para a construção de navios. Outro trunfo é a disponibilidade de mão de obra treinada.
Em ritmo de campanha eleitoral, Lula também participou da entrega de moradias do Minha Casa, Minha Vida e da cerimônia simbólica de confirmação de contrato de concessão de uma área no Porto de Rio Grande para um terminal da fabricante de celulose CMPC, que aplicará R$ 1,5 bilhão no local. O projeto faz parte do plano de ampliação da empresa no Estado. É mais uma boa notícia para a cidade e a Zona Sul, assim como a expectativa renovada no final do ano passado, por decisão judicial, de que se concretize o empreendimento de R$ 6 bilhões para o erguimento de uma termelétrica e de um terminal de regaseificação junto ao maior porto gaúcho.



