Após surpreender e subir 34% em 2025, o Índice Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro, segue em forte valorização neste início de ano, batendo sucessivos recordes. Nesta quarta-feira (28), voltou a fechar em um patamar histórico. Encerrou o dia aos 184.691 pontos, com uma alta de 1,5%. Em janeiro, sobe 14%. A euforia, no entanto, não costuma ser a melhor conselheira para os investidores pessoas físicas iniciantes, que podem se sentir tentados a começar a buscar maior rentabilidade com ações.
A disparada do Ibovespa é atribuída essencialmente ao fluxo forte de capital estrangeiro
A disparada do Ibovespa é atribuída essencialmente ao fluxo forte de capital estrangeiro, com a redução de posições nos EUA devido às turbulências no país e a consequente procura por diversificar as aplicações em emergentes. O Brasil é um dos maiores beneficiados. A bolsa nacional vinha sendo considerada "barata" ante as demais praças. Existe também a perspectiva do início de um ciclo de corte do juro no país, o que favorece o apetite por maior risco na renda variável. Há ainda quem veja a eleição presidencial como outra razão, por uma perspectiva de alternância de poder.
De qualquer forma, o grande motor da valorização é, neste momento, especulativo, com a realocação de capitais atrás de maior retorno. Não é possível saber a duração dessa chegada massiva de dinheiro. É preciso lembrar a lição, especialmente válida para o Brasil, de que o investidor pessoa física impelido pelo entusiasmo é sempre o último a chegar na festa e acaba pagando a conta da farra. Os maiores ganhos recentes com ações brasileiras foram obtidos por quem montou posições um ano atrás, no auge do pessimismo com o país.
Isso não é vaticínio de que a alta dos papéis brasileiros esteja próxima de se exaurir ou de que não existam oportunidades de longo prazo em companhias sólidas e com boas perspectivas. Significa apenas que é sensato buscar educação financeira e conhecimento antes de debutar na renda variável, sujeita a ganhos polpudos e graves prejuízos. A diversificação de aplicações em ativos com diferentes características é um conselho recorrente de especialistas. A ajuda profissional para a escolha da carteira de investimentos ou de boas empresas é outro. Até porque, em meio à euforia, também há ações que derretem. Maior conhecimento, aliás, evita cair em golpes e armadilhas na renda fixa, como os CDBs do Banco Master, que prometiam ganhos muito acima da média do mercado.
O ideal seria que existisse, no Brasil, uma cultura de investimento em ações de empresas com visão de formação de patrimônio ao longo da vida, como ocorre nos EUA. Para isso, seria necessário o país ter estruturalmente juros menores e um horizonte de crescimento sustentável da atividade. Não é o que se vislumbra a partir dos fundamentos da economia brasileira, que mostram o avanço do endividamento público. A expectativa é de que a Selic, hoje em 15% ao ano, encerre 2026 em 12%, ainda um nível escorchante. Um mercado acionário saudável, em que as empresas consigam se financiar e exista maior segurança para pessoas físicas, depende de um quadro macroeconômico interno estável e não de um movimento circunstancial do Exterior. Enquanto não há prudência dos gestores do país, convém aos pequenos investidores tê-la.

