Desde que o governo americano anunciou o recuo parcial da sobretaxa de 40% imposta ao Brasil, em novembro, arrefeceu a sensação de urgência na oferta de socorro aos setores ainda afetados pelo tarifaço aplicado de forma injustificada. Para segmentos vitais da economia gaúcha, porém, a emergência prossegue. Como a pauta de exportações do Rio Grande do Sul foi pouco beneficiada pela poda setorial aplicada pela Casa Branca às tarifas, concentrada em itens como carne, café e frutas, é forçoso ampliar o auxílio oficial anunciado até o momento para o Estado e reforçar a negociação bilateral por uma solução definitiva – a recente exclusão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky sinaliza um momento favorável para avanços diplomáticos.
Justifica-se a cobrança de entidades empresariais de que a União reedite a medida provisória
Conforme relatado na coluna GPS da Economia de Zero Hora na semana passada, os gaúchos contam com R$ 2 bilhões em crédito aprovado para empresas atingidas pela barreira comercial erguida por Donald Trump – R$ 1,3 bilhão faz parte da linha Giro Diversificação, voltada à busca de outros mercados, e os R$ 700 milhões restantes correspondem à linha Capital de Giro, destinada a despesas gerais. É um esforço meritório de compensar os prejuízos por meio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculados ao plano Brasil Soberano, do governo federal. Mas é necessário apoio extra para contrabalançar as perdas de setores excluídos até o momento da trégua tarifária como calçados, tabaco, máquinas, couro e madeiras.
Por isso, justifica-se a cobrança de entidades empresariais de que a União reedite a medida provisória, recentemente vencida, que garante socorro financeiro e amplie sua abrangência para contemplar um número maior de empreendimentos. Seria adequada a inclusão de novas ações como a preferência em compras governamentais e o financiamento de exportações. De acordo com depoimento do presidente do Sindimadeira-RS, Leonardo de Zorzi, há a percepção de um cenário atual de “conformismo” e “esquecimento” por parte das autoridades em relação aos segmentos que seguem submetidos ao pesado jugo do tarifaço.
É preciso reverter essa sensação por meio de mais medidas de apoio enquanto prosseguem as negociações entre os países com o objetivo de normalizar as relações comerciais. O fim das restrições financeiras e migratórias a Moraes sugere a continuidade do distensionamento nas relações entre Trump e Lula. Isso pode ajudar a impedir prejuízos bilionários previstos para o ano que vem. De acordo com estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), as sobretaxas remanescentes podem resultar em perdas de US$ 905 milhões para os gaúchos em 2026 devido ao declínio nas exportações – o equivalente a quase R$ 5 bilhões.
Como um dos Estados brasileiros mais duramente atingidos pela atual política tarifária dos Estados Unidos, por conta da composição específica de sua matriz econômica, o Rio Grande do Sul precisa estar entre as prioridades do governo federal.



