Devem ser publicadas até sexta-feira as duas listas finais de famílias que se enquadraram no Compra Assistida e serão beneficiadas pelo programa habitacional do governo federal criado após a enchente de maio do ano passado. Pela maior agilidade proporcionada pela iniciativa, já que prevê a aquisição de imóveis prontos, fica a expectativa de que essa leva derradeira contemple uma quantidade significativa de gaúchos que seguem à espera de um lar definitivo. O Compra Assistida ampara quem teve a moradia destruída ou afetada pela cheia de 2024 ou ainda vive em área de risco. O corte de renda familiar é de até R$ 4,7 mil, o equivalente a estar nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida. Os imóveis devem ter valor de até R$ 200 mil e são adquiridos pelo governo.
Não será esquecida a promessa do governo federal de que nenhuma família que perdeu a casa na cheia do ano passado ficaria desassistida
Já era previsto que o Compra Assistida seria encerrado no dia 5 de dezembro deste ano. Ainda assim, os contemplados nessa lista final terão mais 60 dias para escolher o imóvel. O tempo é exíguo. Deve-se lembrar que desde o ano passado existiam queixas dos beneficiários sobre a burocracia para finalizar o processo até a entrega das chaves. Os relatos eram de problemas como a demora da vistoria da Caixa na unidade escolhida e também de oferta reduzida de imóveis. É de se esperar que a natural curva de aprendizagem relativa a um programa novo garanta agora a celeridade necessária.
O Compra Assistida, conforme os dados da Secretaria de Apoio à Reconstrução do RS do governo federal, já contemplou mais de 8,2 mil famílias gaúchas e em torno de mil ainda estão em processo de adesão. Em Porto Alegre, de acordo com o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), são contabilizados 4,8 mil benefícios, sendo que em 3,5 mil casos as chaves já foram entregues. A projeção é de que, com as duas listas que serão divulgadas pela Caixa, ao menos mais mil famílias da Capital sejam enquadradas pelo Compra Assistida.
A quantidade de núcleos familiares atingidos pela enchente ou vivendo em áreas inapropriadas, porém, é muito maior. Há pouco mais de duas semanas estimava-se que até 12 mil poderiam ficar de fora do Compra Assistida. Mesmo cadastrados, ainda tinham seus dados sob análise para verificar se se encaixavam nos critérios do programa. Ainda que um número substancial acabe contemplado, milhares ficarão de fora e terão de esperar um prazo incerto pelo tão aguardado novo lar. Estes devem ser direcionados para outros programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida. Mas são empreendimentos que, construídos do zero, serão entregues apenas a partir do próximo ano, em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Na Capital são previstos três. Em todo o Estado, 13,3 mil unidades habitacionais já tiveram a construção autorizada. Os projetos incluem condomínios de casas e de prédios, e apenas parte já teve obras iniciadas. Espera-se que não surjam contratempos típicos de obras contratadas pelo poder público, que levam a atrasos recorrentes nos cronogramas. Não será esquecida, também, a promessa do governo federal de que nenhuma família que perdeu a casa na cheia do ano passado ficaria desassistida.





