O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta semana a sua última reunião do ano e informa a decisão do colegiado no final da tarde de quarta-feira. O encontro será subsidiado pelos dados do PIB do terceiro trimestre do Brasil, divulgado na última quinta-feira, e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro. O indicador que é a inflação oficial do país será conhecido na quarta-feira pela manhã.
Reina a expectativa de que haverá algum ajuste no comunicado do BC, mesmo sutil, para sinalizar que o ciclo de cortes do juro básico da economia deve começar em janeiro.
Ainda que seja consenso de que a Selic permanecerá no patamar excruciante de 15% ao ano, não será uma reunião sem emoções. Reina a expectativa de que haverá algum ajuste no comunicado do BC, mesmo sutil, para sinalizar que o ciclo de cortes do juro básico da economia deve começar em janeiro. O nível atual é o mais alto desde 2006. A confirmação do início do afrouxamento monetário, claro, dependerá da manutenção do cenário atual, de desaceleração da economia e de perda de força da inflação. Espera-se que não surjam fatos novos negativos, internos ou externos, que frustrem as expectativas.
Do Exterior, os riscos que poderiam levar a uma contaminação seriam via câmbio, mas não existem sinais neste sentido até aqui. Há ainda expectativa de corte de juro pelo banco central norte-americano nesta semana, o que ajuda o Brasil. Internamente, o temor é que, pela chegada do ano eleitoral, o governo federal acabe tentado a elevar gastos, piorando as perspectivas fiscais. É preciso que o Copom se sinta confortável para dar início ao movimento de alívio monetário, enxergando a convergência da inflação para a meta no horizonte temporal relevante, que hoje é o segundo trimestre de 2027. Outro cenário preocupante seria o presidente do BC Gabriel Galípolo voltar a ser pressionado por governistas para reduzir o juro. É crível que, nesta hipótese, em busca de credibilidade, o BC mantivesse a postura conservadora.
Os números do PIB de julho a setembro, com uma variação positiva de apenas 0,1%, na prática uma estagnação, confirmam que a economia brasileira esfria. Foi um sinal inequívoco de que o remédio amargo e cheio de efeitos colaterais do juro está funcionando, mesmo com o desemprego nas mínimas históricas. O avanço de apenas 0,1% no consumo das famílias é um reflexo direto da política monetária contracionista. Foi positivo, por outro lado, que o investimento, sensível ao juro alto, tenha apresentado um desempenho melhor, de 0,9%. Esse é um indicador que sinaliza a capacidade futura de crescimento sem pressão inflacionária. Para o quarto trimestre também se espera estabilidade da atividade, com a possibilidade de uma pequena variação negativa. A expectativa do mercado é de que o PIB feche o ano com uma alta de 2,1%.
As notícias mais recentes da inflação têm sido benignas. As projeções para o encerramento de 2025 indicam um IPCA de 4,43%, abaixo do teto de tolerância para a inflação, de 4,5%.
Resta aguardar que se confirmem as condições para que o afrouxamento monetário tão esperado se inicie, de fato, em janeiro. O patamar de hoje da Selic, embora considerado necessário para conter a inflação, está cobrando um preço altíssimo na forma de endividamento e inadimplências das famílias e das empresas.



