Duramente castigado pelos extremos do clima, o Rio Grande do Sul conta com uma representação robusta na COP30. Governo do Estado, prefeituras, cooperativas, empresas e sociedade civil estão em Belém (PA) para mostrar como os gaúchos reagem às consequências do aquecimento global, as iniciativas de adaptação à nova realidade, os avanços na transição energética, a redução de emissão de gases do efeito estufa e os desafios e oportunidades para o bioma Pampa.
Implementação é a palavra-chave da edição deste ano da conferência do clima da ONU. Ou seja, há especial preocupação em superar a fase de discussões e negociações para agir e evitar que a temperatura do planeta se eleve acima do limite de 1,5°C até o fim do século, como o estabelecido pelo Acordo de Paris. Localmente, o RS é uma das regiões do mundo que, já afetada de forma violenta pelos eventos climáticos intensos, foi forçada a se adiantar na fase de execução. Não há mais tempo para procrastinar ou, pior, desperdiçar esforços na discussão sobre se as mudanças climáticas são ou não um fato.
A tragédia das enchentes e as estiagens repetidas já mostraram que o Estado não poderia ficar inerte às mudanças climáticas
Um dos exemplos mais ilustrativos é a reconstrução da infraestrutura destruída pela enchente do ano passado, planejada para resistir a novos episódios de chuvaradas volumosas. Outro são as reformas dos sistemas de contenção de cheias em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Não por acaso o governador Eduardo Leite e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, estão no Pará. Há, ao mesmo tempo, mobilização para mostrar o RS como protagonista na transição energética, apresentando oportunidades de investimento.
Se na COP30 uma das principais pautas é redução da emissão de gases causadores do efeito estufa, merece registro o desempenho obtido pelo Estado. Entre 2021 e 2023, contabilizou redução líquida de liberações de 26,8%. Os dados, publicados no final de outubro, são de um inventário do governo gaúcho. Chama atenção o resultado da variável mudanças do uso da terra, com uma queda de 21,8% das emissões. É relacionada à manutenção ou recomposição de cobertura vegetal. Na área da agricultura, aliás, cooperativas do Estado vão apresentar cases como de manejo de solo, para garantir maior fertilidade e menor erosão, e o que torna áreas com videiras menos suscetíveis a impactos de chuva forte.
A COP30 é ainda uma chance para dar visibilidade ao Pampa, bioma onde predominam os campos, e não as florestas. Costuma causar maior comoção quando a supressão de vegetação original se dá pela derrubada de árvores, mas os ambientes campestres do Pampa também são ricos em fauna e flora e o bioma presta relevantes serviços ecossistêmicos. Há espaço para valorizar a pecuária exercida sobre os campos nativos, modelo raro de conciliação de biodiversidade e atividade econômica.
A tragédia das enchentes e as estiagens repetidas já mostraram que o RS não poderia ficar inerte às mudanças climáticas. Em algumas frentes há uma reação mais palpável. É o caso da prevenção às cheias. Em outras, ligadas às secas, ainda há impasses a resolver. Resta claro, no entanto, que há esforços em curso. Sair na frente, tornando-se um exemplo de mitigação e adaptação, também é uma oportunidade para o Estado.





