O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem na Indonésia, a primeira parada de uma passagem pelo sudeste asiático que se prolongará até a terça-feira. A agenda que desperta maior atenção é o encontro que deve ter no domingo com Donald Trump. É natural que a reunião seja cercada de expectativas. A espera é pela evolução das tratativas entre Brasil e EUA sobre temas econômicos e de comércio, após o tarifaço imposto pela Casa Branca sobre as exportações brasileiras. Sem dúvida, é de extrema importância a busca por chegar o mais perto possível de uma normalização nas relações entre as duas nações. Ainda assim, também merece interesse especial o objetivo original da viagem.
O aumento das vendas do Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo
O presidente brasileiro participará, na Malásia, da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco hoje composto por 10 países que, nas últimas décadas, apresenta uma das maiores taxas de crescimento econômico do mundo. O desenvolvimento da região se reflete na demanda por produtos brasileiros. A evolução salta aos olhos. Entre 2020 e 2024, as exportações para a Asean pularam de US$ 14,18 bilhões para US$ 26,36 bilhões, uma alta de 86%, conforme o sistema de estatísticas do governo federal.
O aumento das vendas do Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo, com um salto de US$ 691 milhões em 2020 para US$ 1,74 bilhão no ano passado (152%). Os negócios seguem se expandindo em 2025. Entre janeiro e setembro, as exportações do Estado atingiram US$ 1,7 bilhão, o triplo do mesmo período em 2020. Os embarques por enquanto envolvem principalmente o complexo soja, carne suína e de aves, fumo, produtos de couro e petroquímicos. Mas o potencial é bem maior. O Brasil responde por apenas 2% das importações do grupo de países formado por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã e que em breve terá também Timor Leste. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) mapeou mais de 1,8 mil oportunidades de exportação para os países da Asean, em especial na área de alimentos, segmento em que o Estado é forte.
É oportuno situar que o bloco tem uma população de quase 700 milhões de pessoas e um PIB de US$ 4 trilhões. O Mercosul assinou em 2023 um acordo de livre comércio com Singapura e há chance de o mesmo ocorrer com a Indonésia. Durante a missão, com a presença de 150 empresários brasileiros, serão realizados dois fóruns empresariais com o objetivo de prospectar negócios.
Aguarda-se que o encontro entre Lula e Trump ocorra e seja bem-sucedido. É prioridade se reaproximar da Casa Branca e tentar diminuir o impacto do tarifaço. Uma série de setores econômicos do país e do Estado tem os EUA como principal mercado ou um dos destinos preferenciais, e os negócios ficam inviabilizados com tarifas de 50%. São ainda segmentos em que a realocação das vendas é mais complexa. Mas dificilmente o quadro voltará ao que era antes das barreiras tributárias erguidas por Trump. Assim, é estratégico para o Brasil abrir novos mercados e ampliar a presença em locais para onde já vende. O sudeste asiático, pelo tamanho crescimento vertiginoso, está entre as principais oportunidades.




