São reveladoras as mensagens de texto e áudio encontradas pela Polícia Federal no telefone do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos conteúdos mostram a conspiração para obstruir a Justiça, forçar uma anistia aos condenados por tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023 e estimular o tarifaço norte-americano contra o Brasil. Numa linguagem eivada de grosserias e ofensas recíprocas, o ex-mandatário e seu filho Eduardo Bolsonaro deixam claro que os interesses familiares estão acima de qualquer consideração com o país e até mesmo dos pleitos de seus próprios apoiadores.
Neste contexto de desobediência às restrições judiciais e de evidente articulação com o governo de Donald Trump para a imposição de medidas prejudiciais a produtos, negócios e empregos brasileiros, o novo indiciamento de Bolsonaro e de seu filho autoexilado se tornou uma consequência natural.
As mensagens divulgadas, especialmente os áudios que não deixam dúvida sobre a autoria e o teor das manifestações, revelam de maneira insofismável o desrespeito à lei, o desacato às decisões judiciais e o total desapreço dos interlocutores aos interesses maiores da sociedade brasileira
As mensagens apagadas pelo titular do aparelho e recuperadas pela área técnica da PF também revelam a participação ativa do pastor Silas Malafaia na estratégia de vincular o tarifaço à anistia. É um registro comprometedor, pois, até agora, o religioso era visto apenas como organizador das manifestações públicas de apoio ao ex-presidente. As novas evidências indicam que seu protagonismo na trama conspiratória é bem maior.
De acordo com o relatório final da investigação, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal no último dia 15, Bolsonaro e o filho foram indiciados pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito. Indiciamento policial — como se sabe — não é comprovação de crime. É apenas a formalização de uma suspeita, com indícios de autoria e materialidade de um delito. É mais uma etapa de um processo legal, que garante o direito de acesso à ampla defesa para todas as partes. Porém, as mensagens divulgadas, especialmente os áudios que não deixam dúvida sobre a autoria e o teor das manifestações, revelam de maneira insofismável o desrespeito à lei, o desacato às decisões judiciais e o total desapreço dos interlocutores aos interesses maiores da sociedade brasileira.
Outro complicador para o principal indiciado é o arquivo editável com um pedido de asilo na Argentina, aparentemente descartado pelo ex-presidente e agora justificado por seus advogados como uma das tantas sugestões encaminhadas a ele. Porém, de acordo com a perícia feita no celular, dois meses antes da edição do documento Jair Bolsonaro chegou a informar oficialmente ao ministro Alexandre de Moraes que pretendia viajar ao país vizinho — o que indica, no mínimo, um reconhecimento de terreno para a possível evasão.
O deputado Eduardo Bolsonaro já está nos Estados Unidos desde o fim de fevereiro e lá atua, como é de conhecimento público, para fomentar sanções daquele país ao Brasil. Segundo a PF, o parlamentar busca atingir diretamente instituições democráticas brasileiras, notadamente o STF e o Congresso, para satisfazer interesses pessoais. A realidade, porém, demonstra que suas ações vêm causando mais danos do que benefícios ao país e a sua própria família, principalmente com o incentivo ao injusto tarifaço imposto pelo governo Donald Trump.



