Os números da gripe são alarmantes em 2025 no Estado. A elevada quantidade de hospitalizações e de óbitos exige que não se esmoreça no apelo para a população se vacinar. O quadro atual deve ainda servir de aprendizado e ser levado em conta no planejamento para o próximo ano, com uma melhor preparação do sistema de saúde para a chegada dos meses mais frios e de maior circulação de vírus de doenças respiratórias.
Conforme a SES, entre as principais causas do salto nas hospitalizações e mortes está a baixa cobertura vacinal
As estatísticas da Secretaria Estadual da Saúde (SES) são eloquentes. O inverno começou há menos de um mês e o Rio Grande do Sul já tem no acumulado do ano um número recorde de internações e de mortes por gripe desde o início da série histórica, 2009, quando eclodiu a pandemia de H1N1. Foram 2.654 internações até a última segunda-feira e 423 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela influenza. O segundo ano mais fatal foi 2024, com 289 óbitos de janeiro a dezembro.
Os dados demonstram o quanto a situação de 2025 é grave e ainda indicam que, como no ano passado o número já foi alto ante a média, atravessa-se um período desafiador. Conforme a SES, entre as principais causas do salto nas hospitalizações e mortes está a baixa cobertura vacinal. Das pessoas internadas, 82% não estavam imunizadas. Nas vítimas fatais, o percentual é de 78%.
Espanta a baixa procura pela vacina em um ano que se anunciava preocupante desde as primeiras semanas em que as temperaturas começaram a baixar. Foram reiterados pedidos de especialistas, de autoridades da área e de órgãos de saúde alertando para a importância da vacinação como melhor forma de proteção individual e comunitária. Sabe-se que a imunização não impede de pegar a doença, mas diminui em muito as possibilidades de complicações, internações e mortes.
Ainda assim, a meta entre os grupos prioritários, que seria 90% de alcance, segue muito distante de ser atingida. Entre os idosos, que são 77% das vítimas fatais, a cobertura é de 53%. Nas crianças de seis meses a seis anos, é de 40%, e nas gestantes, de 30%. A vacina está disponível de forma gratuita nas unidades básicas da rede dos municípios, é comprovadamente segura e eficaz.
Ao longo da pandemia de covid-19, viveu-se o auge da desinformação contra as vacinas, o que por certo colabora para a hesitação da população. Mas é provável que existam mais razões. Convém conhecê-las mais a fundo e combatê-las. Afinal, a cobertura contra outras enfermidades também vem caindo no país. Foi informado nesta semana, por exemplo, que o Brasil voltou ao grupo dos países com mais crianças não imunizadas no mundo. Nenhuma das 17 vacinas monitoradas chegou ao alcance preconizado de 90% em 2024. Isso evidencia a necessidade de reforçar a conscientização sobre a importância das vacinas, ainda mais em um país como o Brasil, cujo Programa Nacional de Imunizações (PNI) já foi considerado referência global, decisivo para a erradicação de inúmeros males.
Sobre a gripe no Estado, nunca é tarde para renovar o incentivo à vacinação ainda neste ano. Ao mesmo tempo, deve-se começar a planejar como melhorar a cobertura em 2026 e como se organizar para que unidades de saúde, emergências e hospitais não enfrentem a mesma superlotação observada neste ano.



