
Versão criacionista: No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava informe e vazia. Então, Ele ordenou que a terra produzisse plantas e ervas. Estavam criadas as condições para o primeiro campinho de futebol. Mas faltavam os atletas. Aí Ele fez os seres vivos, alguns deles à sua imagem e semelhança, outros nem tanto. E ordenou: multiplicai-vos. Pronto, os humanos já podiam formar tribos e times. Mas ainda faltava o mais importante: a bola. Tempos depois, os chineses inventaram um jogo chamado tsu chu, que consistia em chutar um couro recheado. Finalmente, os ingleses criaram regras para o novo esporte.
E o mundo nunca mais foi o mesmo. Em vez de se matar em lutas fratricidas nas arenas de gladiadores, nas batalhas campais e nos duelos de espada para provar que eram mais altos, mais fortes e mais rápidos do que seus oponentes, os terráqueos passaram a competir pela posse da bola, pelo seu domínio, pelo passe certo, pelo chute perfeito, pelo drible, pelo gol.
Golaço da humanidade. A partir daí, tribos de todas as origens passaram a se reunir de quatro em quatro anos para disputar supremacia sem que ninguém precisasse decapitar os adversários. A Copa do Mundo, sempre linda, festiva e emocionante, comprova que, pelo menos um pouco, a humanidade evoluiu.
Versão evolucionista: Num incerto dia, na pré-história da humanidade, aquele serzinho frágil que se escondia na caverna, com medo das garras do tigre, dos dentes do crocodilo e do veneno da serpente, tirou as patas dianteiras do chão e passou a caminhar ereto. Sua cabeça fervilhava de ideias. Passou a usar as mãos para empunhar clavas, machados e outros instrumentos de defesa e ataque que lhe deram poder sobre os demais animais. Então pôde utilizar os pés não apenas para caminhar e correr, mas também para chutar o balde, o pau da barraca e – por pura diversão – bolas de meia, de borracha e Triondas.
Adorou a brincadeira. Formou equipes para competir de forma coletiva. E as representações nacionais passaram a se reunir de quatro em quatro anos para celebrar a alegria de colocar a bola com os pés no gol adversário. Virou esta festa planetária que mobiliza multidões, ilusões e paixões. Apesar da violência e das guerras, às vezes a vida presta no Planeta Bola.






