
Caro senhor golpista:
Recebi sua correspondência do dia 24 de abril passado com o logotipo da Serasa e a gentil cobrança de uma conta de luz de outubro de 2023, tendo como instituição credora a nossa Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica. Tudo certinho: meu nome, meu CPF e meu endereço, assim como o valor correto da taxa mínima de consumo que costumo pagar pelo imóvel referido.
Cartinha educada, reconheço: “Olá! Temos um comunicado importante para você”. Em seguida, direto ao ponto: “Atendendo à legislação vigente (asterisco remetendo ao Código de Defesa do Consumidor), viemos avisar que a empresa credora abaixo entrou em contato com a gente e solicitou a abertura de cadastro negativo em seu nome”.
Puxa, que susto! Nunca entrei num cadastro negativo. Ainda bem que logo em seguida vem uma informação tranquilizadora: “Contudo, ainda dá tempo de regularizar a sua situação. A partir da data de emissão deste comunicado, você possui 10 dias para entrar em contato com a empresa credora e resolver o débito. Caso você já tenha regularizado a dívida, desconsidere este comunicado”.
Desconsiderei, claro, pois procuro manter meus pagamentos em dia. Mesmo antes de ler o aviso seguinte, este sim um tanto ameaçador: “Se após este período você não tiver regularizado o débito com o credor, ou o credor não tiver informado a Serasa que a situação foi resolvida, as informações serão disponibilizadas no cadastro de inadimplentes para consulta. Ou seja, você será negativado”.
Negativo, caro golpista! Não vou cair nessa nem ligar para os telefones sugeridos ou entrar em contato com sua prestimosa Central de Ajuda. Considerando a realidade do nosso país, talvez eu devesse lhe agradecer por ter tentado me roubar de uma maneira, digamos, civilizada, sem me agredir fisicamente ou me ameaçar com uma arma.
Mas não vou fazer isso, pois tenho consciência de que outros cidadãos distraídos, que dificilmente vão lembrar de uma conta paga há mais de três anos, poderão cair no seu golpe. Por isso, faço esse registro ao mesmo tempo em que desejo, também civilizadamente, que cedo ou tarde você seja descoberto pelas autoridades e passe uma boa temporada na cadeia.
Desatenciosamente.






