
A máfia que utilizou o Banco Master para roubar o dinheiro dos correntistas, acumular fortunas e subornar autoridades se autodenominava "A Turma", corrompendo, também, uma das expressões mais simpáticas do nosso vocabulário. Turma é o substantivo coletivo que define um grupo de pessoas unidas em torno de um objetivo comum, invariavelmente relacionado a boas causas. É a turma da aula, a turma do trabalho, a turma dos amigos que saem juntos para se divertir, a turma do bar, a turma do futebol, a turma do pagode, a turma da Mônica e outras tantas que nos oferecem a oportunidade de identificação e compartilhamento com nossos semelhantes.
Turma de criminosos, sinceramente, não merece essa denominação. Melhor defini-los com aqueles termos característicos da linguagem policial, tipo bando, quadrilha, gangue, súcia, corja e algum outro que não me ocorre agora, mas que não deixe dúvidas sobre a índole dos malfeitores que se julgavam impunes e que, agora, estão sendo julgados por seus crimes. Espero que os doutos magistrados – também eles divididos em turmas – pelo menos utilizem a terminologia adequada quando se referirem aos delinquentes. Estaremos atentos: nas atuais circunstâncias, eufemismos e floreios jurídicos já podem ser considerados indícios de suspeição.
As verdadeiras turmas (de amigos, companheiros de trabalho, etc.) caracterizam-se pela partilha de interesses comuns, pela reciprocidade, pela lealdade e também pela linguagem própria.
Gírias, anedotas e apelidos divertidos fazem parte dessas sociedades fraternas em que, dificilmente, algum integrante será conhecido por sicário – o assassino de aluguel contratado pela corja de colarinho branco que comandou a fraude financeira. Pelo menos um dos bandidos era tratado com a devida autenticidade por seus próprios pares. Pois que o tratamento adequado se estenda a todos: nada de “turma” para esses quadrilheiros.
Confraria
Turma merecedora da denominação positiva é a que lançará na próxima quinta-feira (19) o livro Entre um Gole e Outro 3 – Um Tributo a Kadão, homenagem ao grande fotojornalista Ricardo Chaves, falecido em abril do ano passado. Será a partir das 18 horas, no Bar do Alexandre (Saldanha Marinho, 132) e a renda dos exemplares vendidos irá integralmente para a turma do Asilo Padre Cacique.





