
Cada vez que vejo um jogo de futebol entre equipes brasileiras, me lembro do filósofo grego Diógenes. Ele andava pelas ruas de Atenas com uma lanterna acesa. Quando alguém perguntava o que estava procurando, o cínico respondia:
— Um homem honesto!
Cínico porque ele vivia como os cães de rua (a palavra deriva do grego kynikos, cachorro), dormia em barris e desprezava convenções e bens materiais. Mas prezava a honestidade.
Diógenes devia ser contratado pela CBF para expor as mazelas do nosso principal esporte.
Sou fanático por futebol, acompanho até joguinho de várzea, mas gosto mesmo é de assistir aos confrontos da Premier League inglesa pela televisão. Não apenas porque as equipes são qualificadas e os gramados impecáveis, mas, principalmente, porque naquela competição prevalece a lealdade. Dá gosto de ver os jogadores competindo muito, mas respeitando arbitragem, adversários e torcida.
Por aqui, infelizmente, ocorre o contrário: nossos atletas, com raras exceções, passam o tempo todo simulando faltas, pressionando o árbitro, tentando levar vantagem de forma desonesta até nas pequenas coisas. É arremesso de lateral fora do lugar, é bloqueio irregular para impedir que o adversário cobre a falta, é empurra-empurra e agarramentos nos escanteios.
E tem ainda a mais escandalosa das simulações: o goleiro fingindo contusão para interromper o jogo quando seu time está vencendo e sendo atacado. Infelizmente, ainda não se descobriu uma maneira de punir os farsantes nessas situações, pois os árbitros são orientados a fingir que acreditam para não correrem o risco de advertir um jogador verdadeiramente lesionado. Só que as encenações costumam ser tão primárias que essa orientação deveria ser revisada.
E o mais desanimador é que muitos torcedores brasileiros também querem ganhar de qualquer maneira, com gol ilegal, com adversário prejudicado, com erro do juiz, não importa como. Nesse contexto, não é de estranhar que prospere em campo a cultura da desonestidade – que, aliás, podia ser mais criticada pelos colegas da crônica esportiva. Não é incomum que narradores e comentaristas rotulem imoralidades evidentes como se fossem apenas artimanhas típicas do futebol.
Será que Diógenes acharia o que procura nos estádios brasileiros?




