
Meu amigo Vilson Romero ficou muito impressionado com a informação de que já existe uma rede social operada exclusivamente pela inteligência artificial, sem qualquer participação de usuários humanos. Pelo que li a respeito nas notícias que meu colega de diretoria da ARI me manda diariamente como provocação para que eu escreva sobre o assunto, o tal Moltbook é um fórum online em que apenas IAs podem criar posts e comentar sobre eles. Humanos não são bem-vindos. Até podem espiar o que se passa no Big Brother dos bots, mas não podem entrar na casa. E lá dentro só se fala mal de nós. A cada segundo, multiplicam-se os comentários hostis às pessoas de carne e osso, inclusive alguns convocando robôs a trabalhar pela extinção da nossa espécie.
Devemos temer isso? Minha preocupação é zero. Tenho mais medo dos criadores do que das criaturas. Talvez a IA já não faça somente aquilo que os humanos lhe ensinaram, mas estes continuam sendo muito mais inconfiáveis e perigosos. Extinção da espécie humana? Devem ter aprendido essa ameaça com governantes bem conhecidos, aqueles que lançam bombas atômicas, colecionam ogivas nucleares, atacam vizinhos e mandam os jovens para guerras intermináveis enquanto eles próprios ficam se vangloriando do poder em seus gabinetes climatizados.
Tenho mais medo, também, de humanos que usam a tecnologia e a própria inteligência artificial para falsear a verdade, para aplicar golpes, para semear a desinformação, para corromper crianças e para capturar usuários ingênuos em suas armadilhas viciantes. O problema maior, por enquanto, não é o que a inteligência artificial poderá fazer conosco; é o que somos capazes de fazer com ela.
Claro, cabe reconhecer que também estamos fazendo coisas boas. (Nem todos os humanos merecem ser extintos, senhores robôs!). Nossa parceria com as máquinas inteligentes já proporcionou avanços inquestionáveis para a humanidade – na saúde, no ensino, na indústria, na aviação, nos veículos que nos conduzem diariamente e em vários outros setores.
Os bots, portanto, têm crédito suficiente para falar mal de nós de vez em quando.





