
A foto correu o mundo e suscitou milhares de comentários no feriadão de Carnaval, a maioria no espírito da festa: “Ancelotti está curtindo o Brasil!”, legendou um jornal online da Itália. A imagem mostra o sisudo treinador da Seleção Brasileira abraçando e beijando três belas jovens em pleno Carnaval de Salvador. O italiano estava lá mesmo, mas, pelo que se sabe e pelo que se apressou em esclarecer a CBF, ficou bem comportado no camarote que lhe foi reservado.
— Fake! — sintetizou a entidade esportiva.
Tudo aponta para uma daquelas montagens engraçadinhas construídas com a ajuda da inteligência artificial. Fácil de fazer, ninguém precisa ser especialista para gerar uma fantasia com feições de realidade. É só pedir direitinho e os robozinhos fazem.
Divertido é, mas será que também não é um crime? Nesse mundão sem fronteiras da internet, sempre vai aparecer alguém que acredite, assim como as pessoas acreditam que o doutor Drauzio Varella está indicando remédios milagrosos em vídeos elaborados por vigaristas que ganham dinheiro e prejudicam a saúde de pessoas ingênuas. Ele denúncia a fraude todos os dias, já foi à Justiça para responsabilizar plataformas digitais, mas a coisa não para.
Confesso que às vezes tenho dificuldade de entender como alguém ainda crê nessas falsificações, que são denunciadas e desmentidas diariamente pela mídia profissional. Empresas de comunicação mantêm equipes especializadas só para esclarecer se vídeos, fotografias e notícias extravagantes são fatos ou manipulações. Mas os receptores da informação e da desinformação nem sempre são os mesmos. Além disso, as imagens são cada vez mais convincentes. No caso referido, é bem possível que o próprio Ancelotti ao ver a foto, possa ter ficado em dúvida. Afinal, era Carnaval, as pessoas exageram na cerveja...
Há, porém, um aspecto indiscutível nesse processo cada vez mais disseminado de enganações, seja qual for o seu propósito: a culpa não é da inteligência artificial. Por trás de toda sacanagem, de toda imoralidade, de todos os delitos, sempre tem um cérebro humano.



