
Ainda continua dando pano pra manga aquele site do IBGE sobre os nomes e sobrenomes mais (e menos) populares do país, extraídos do Censo 2022. Li outro dia um curioso levantamento de crianças com nomes de personagens do esporte e do mundo artístico. Só para exemplificar: o país tem 2.443 xarás de Neymar e 1.441 brasileiros com o nome do bruxinho Harry (Potter), além de 220 meninas chamadas Hermione — a maioria, provavelmente, inspirados no craque e nos personagens da fantasia britânica.
Quem ainda não conferiu os seus xarás que atire a primeira crítica. Nós, os Nilsons, somos 90.353, mas nos encaminhamos para a extinção. Nos últimos dois anos contabilizados pelo IBGE, só 236 piás receberam esse nome simpático que o Dicionário de Nomes Próprios diz significar “filho do campeão”. Te mete!
Narcisismos à parte (há 6.569 Narcisos no país) e inspirado no saudoso amigo e escritor imortal Moacyr Scliar que pesquisava nomes que condicionam destinos (há 3.864 xarás dele na lista), resolvi confrontar rivais históricos na investigação feita em mais de 90 milhões de domicílios nacionais. O Brasil tem 35.074 pessoas chamadas Jesus e 2.859.490 usam o seu santo nome como sobrenome. Já o pobre Judas não apenas perdeu as botas, mas também esse confronto: só 821 brasileiros usam seu nome e 195 o tem como sobrenome. David também ganha longe de Golias: 228.894 patrícios se chamam David e 41.188 usam esse sobrenome. Já os Golias são 35 e apenas 186 como sobrenome de família.
No ranking das maluquices copiadas da ficção nem sempre os heróis levam vantagem: temos 32 patrícios com o sobrenome Batman e 722 que se assinam Coringa. Mas o gato Tom (do desenho animado), com 1.739 xarás, perde feio para o rato Jerry, que tem 5.653 tocaios. Na sempre polarizada disputa da política nacional, temos 128.980 brasileiros chamados Jair e 1.335.098 chamados Luiz. Antes que me perguntem quem é o herói e o vilão, volto para o terreno pacífico das curiosidades pouco críveis. Encontrei no levantamento do IBGE 31 pessoas com o sobrenome Fulano, 649 com o sobrenome Beltrano e — pasmem! — 1.726 com o sobrenome Sobrenome. Pode isso, Arnaldo?
A propósito, são 64.854 os Arnaldos.






