A ministra de Gestão do país disse na semana passada que o governo federal vem extinguindo gradativamente mais de 40 mil cargos públicos considerados obsoletos, entre os quais os de datilógrafo, ascensorista e — acredite se puder! — linotipista.
— Lino o quê? — me perguntou outro dia um jovem, quando disse que trabalhei com linotipistas no início de minha carreira jornalística.
Acredito que a maior parte da população do planeta também não sabe quem eram e o que faziam aqueles trabalhadores. Pois eles faziam o milagre da impressão. Transformavam chumbo derretido nas letras e linhas dos impressos — jornais, revistas, livros e panfletos lidos por muitas gerações de contemporâneos do chamado Parêntese de Gutenberg.
Conheci linotipistas na primeira redação de jornal que frequentei. Eles operavam os teclados de estranhas engenhocas no porão da empresa, num ambiente empestado pelos vapores de uma mistura líquida e superaquecida de chumbo, antimônio e estanho, que se solidificava para formar as letras de metal. Então, os lingotes resfriados passavam pelo processo de impressão e eram novamente derretidos para serem reutilizados.
Aquela oficina era um local tão insalubre que nós, jornalistas, só a frequentávamos para levar nossos textos datilografados ou para elucidar eventuais dúvidas. Mas os operadores das linotipos cumpriam longas jornadas em meio ao cheiro tóxico e ao barulho das máquinas. Alguns até adoeciam, principalmente de uma enfermidade chamada saturnismo, que afetava os sistemas nervoso, renal e digestivo. Ainda bem que a tecnologia evoluiu para a fotocomposição e para a composição digital, que passaram a ser processadas em ambientes mais saudáveis.
O que demora para evoluir é a administração pública. Devido à burocracia e ao descaso, ainda mantém cargos mais do que superados, como os de datilógrafo e ascensorista. Máquinas de escrever são hoje peças de museu. E os elevadores modernos até falam com os usuários. Os antigos operadores daquelas geringonças cumpriram os seus papeis, mas, como diz a canção tradicionalista, o que foi nunca mais será.
Lino o quê? Defino melhor: profissionais que trabalharam arduamente para nos oferecer a boa e indispensável leitura.




