
Paulo Sant’Ana costumava dormir na sala dos editorialistas de Zero Hora (e em outras dependências da empresa onde houvesse um sofá ou uma cadeira mais confortável). Mas o nosso cantinho isolado da Redação tornou-se o seu espaço preferido depois que a editora-chefe Marta Gleich mandou colocar lá uma poltrona reclinável, comprada especialmente para ele tirar as suas sonecas vespertinas depois do Sala de Redação e antes de produzir suas inspiradas colunas para o jornal.
Quando dormia um pouco além da conta, cabia a mim acordá-lo — e, invariavelmente, antes de passar do sono à vigília, ele resmungava uma frase do cronista carioca Antônio Maria:
— Se eu estiver dormindo, me deixa dormir. Se eu estiver morto, me acorde!
Tanto repetiu a citação que pedi aos colegas da Editoria de Arte para imprimir um cartaz com a frase e afixei-o na parede de seu dormitório improvisado. Virou atração para os visitantes eventuais e tema óbvio para fotografias. Pois agora, oito anos depois da sua morte, a brincadeira virou realidade: Sant’Ana foi despertado de seu sono eterno pelo jornalista e escritor Márcio Pinheiro e pelo empresário Fernando Ernesto Corrêa. Os dois se dedicaram nos últimos meses à produção do livro Paulo Sant'Ana — O Gênio Indomável, edição da AGE, que será lançado oficialmente a partir das 18 horas desta terça-feira, na livraria A Página, do Shopping Praia de Belas.
Sant’Ana ocupou durante mais de três décadas os principais espaços dos veículos de maior audiência do Rio Grande do Sul. Como acontecia com suas colunas, tive a honra de ser um dos primeiros leitores do livro e posso assegurar que o paciente trabalho de pesquisa e o texto de Márcio Pinheiro retratam fielmente a vida, a obra, as paixões, as loucuras, as sacadas e as polêmicas protagonizadas pelo comunicador mais popular do Estado. O recorte biográfico também resgata frases talentosas e inesquecíveis do cronista, como a sua justificativa para os costumeiros conflitos entre os participantes do programa Sala de Redação: “Aqui todas as brigas são reais. Fingidas são as reconciliações”.
Sant'Ana foi um tradicional membro do "Sala de Redação" (aqui, em registro de 2009).
Acordaram o homem!




