
A entrevista do presidente Barcelos após a eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil tinha tom de voz e linguagem corporal de um obituário. Além das protocolares desculpas pedidas a quem torce, o dirigente pareceu batido pelos fatos.
Embora tenha feito um chamado hesitante para remobilização de sexta-feira passada até este domingo, quem trabalha em futebol, quem torce a favor e quem torce contra só tiveram sinais do oposto à reversão da verdade do momento.
O cenário põe o Inter dentro do Z-4 a jogar contra adversários que são melhores do que ele, à exceção da Chapecoense. Peça a peça, o grupo colorado não estaria na lista dos rebaixados. Porém, o treinador não está conseguindo, há muito tempo, tirar mais futebol de quem quer que entre em campo.
Às vezes, o problema é o próprio jogador e seu limite técnico, seu momento físico ou anímico. Noutras, o técnico decide desconsiderar a aptidão do escolhido para determinada função e o coloca a fazer coisas das quais ele não é capaz. Por uma razão ou por outra, o Inter não muda para melhor e, não raro, quando muda é para pior.
Este domingo é uma espécie de fronteira para Pezzolano. Em casa, onde tem mais resultados ruins do que bons, enfrenta o Santos, que vem a Porto Alegre com uma certa dignidade decorrente da eliminação comedida para o Palmeiras. Arthur deve estrear, Gabigol estará em campo, Neymar, não.
O time paulista está à frente do Inter na tabela e tem como objetivo pontuar no Beira-Rio, um barril de pólvora prestes a explodir. Não há como antever o espírito com que a torcida estará no estádio.
Bons sinais?
Pode ser que só vá quem tenha paciência e acolhimento para entregar, mas também pode ir colorado ressentido pelo conjunto da obra pronto para vaiar o nome de cada um que for citado pelo Montanha, o homem que tenta animar a torcida colocando emoção na voz ao dizer o nome dos jogadores e do treinador.
Um domingo de futebol em horário nobre, 16h, previsão de muito frio e tempo seco. Para evitar o pior, o colunista teria que se esforçar em busca de bons sinais.
Dificuldade
A janela termina dia 11, o clube está sob transfer ban, não pode registrar ninguém enquanto não pagar o que deve. Se decidir trocar de treinador, o presidente terá que oferecer o Beira-Rio como bônus para o profissional que aceitar assumir o Inter dentro do Z-4 e só por três meses. O técnico, como qualquer um no lugar dele faria, vai colocar no preço o tamanho da dificuldade.
Se Barcellos convencesse Abel Braga a cometer a loucura de repetir o desafio de 2026, a torcida pelo menos daria um voto de confiança. Mas seria de uma crueldade inominável cobrar de Abel que outra vez aceitasse missão tão improvável. Estou, portanto, descrevendo um contexto de caos sem que possa ser acusado de promover sinistrose.
Por tudo que escrevi até agora, a frase que abriu a coluna faz sentido. Alessandro Barcellos fez um obituário do Inter na sua fala na Arena.
Para repetir o inexplicável da última rodada do Brasileirão passado, quando garante a permanência na Série A com vitória sobre o Bragantino e resultados paralelos positivos, quem torce pelo Inter terá que fazer muita oração pedindo que vire regra o que é exceção.
Não há por onde acreditar se o critério for a lógica. Mas o futebol autoriza a crença no aleatório. É o que resta a quem chegou nesta rodada com a esperança no fundo do poço.
📩 Receba as principais notícias do Inter direto no seu e-mail. Clique aqui e inscreva-se na newsletter do Colorado.

