
Nesta segunda-feira (18), o país perde uma pauta e ganha outra no futebol. Carlo Ancelotti divulgará a lista dos 26 que vão à Copa e chegará ao fim a dúvida sobre a convocação ou não de Neymar.
Já defendi muito que sim, fui ficando menos ardoroso à medida em que via o atacante jogando pouco futebol e se notabilizando por coisas de fora do campo. Desisti de vez depois do tapa na cara em Robinho Júnior, imaginei o treinador italiano pensando para seus botões que não precisa correr o risco de um destempero desses em plena Copa.
Porém, foi se levantando de forma orgânica uma onda a favor da convocação do 10 do Santos. Não partiu da torcida, nem de treinadores, tampouco da imprensa. Jogadores e ex-jogadores brasileiros declararam voto a favor da ida de Neymar aos Estados Unidos.
Começou tempos atrás, Romário votou pelo "Sim". Já faz alguns meses, a fala do atacante parecia diluída pelo passar dos dias. Não faz duas semanas, Ronaldinho Gaúcho, que quase não declara nada numa frase com mais de cinco palavras como forma de se preservar, decidiu tornar pública sua opinião de que Neymar tem que estar entre os 26 jogadores da lista desta segunda-feira.
A seguir, vieram os jogadores ainda em atividade. Casemiro, liderança máxima de Ancelotti no vestiário, Raphinha e João Pedro, que poderiam temer perder a posição para o próprio Neymar e nem assim deixaram de declarar a intenção de contar com o fora-de-série na tentativa do Hexa.
Ancelotti, combinemos, já tem a decisão tomada. Renovou contrato com a CBF para 2030 dias atrás, está mais poderoso do que nunca. Legitimado pela renovação que indica um ciclo inteiro só dele, coisa que não aconteceu para esta Copa norte-americana, o italiano ouve em silêncio todas as manifestações sobre Neymar e vê os jogos do santista.
Neste fim de semana que antecede a convocação, Neymar estará em campo pelo terceiro jogo seguido. O Santos vem de duas vitórias, uma delas com gol de Neymar.
Se Ancelotti levá-lo, no entanto, estará tendo em mente algo que terá que conversar com o jogador. Não será titular, está claro, existe um time na cabeça do treinador, este time foi praticado nos amistosos e nas Eliminatórias e Neymar nunca esteve lá.
Carlo Ancelotti, se convocá-lo, terá que conversar sobre relevância sem protagonismo, sem braçadeira, sem estar no campo na hora do hino. Neymar, no melhor cenário, aquele que eu defendia no início da pauta, será o cara a ser chamado pelo treinador aos 15 ou 20 minutos do segundo tempo e os zagueiros adversários, ao perceber a movimentação, temerão pelo pior.
Vem aí um diferente, pensarão. Esse cara vai nos quebrar, dirá um defensor para o outro. E o jogo, a partir da entrada de Neymar, que nem deverá ter a camisa 10 para si, mudaria a favor do Brasil com gol ou assistência dele.
A vitória alcançada a partir da entrada do atacante será a pauta da coletiva de Ancelotti no pós-jogo, mesas redondas discutirão se Neymar deve começar a próxima partida titular ou bancário e assim será até a última participação brasileira na Copa.
Se decidir deixar Neymar no Brasil, Ancelotti estará apostando no pragmático, naquilo que se vê e não no que não se vê. Tem tamanho para tomar esta decisão sem que o questionamento da opinião pública lhe tire poder.
À esta altura, não sou contra a convocação de Neymar, não direi que será um erro chamá-lo. Entretanto, já não defendo sua presença na lista como defendi quando a pauta começou a ser discutida. O Museu do Amanhã será palco do anúncio da convocação no Rio de Janeiro. E não se discutirá outra coisa até a meia-noite do dia 18 de maio a não ser Neymar e sua presença ou ausência na lista. Inevitável.





