
Com um inacreditável orçamento de um bilhão e 250 milhões de euros, ou sete bilhões e 700 milhões de reais, o maior clube do mundo está conhecendo, em maio de 2026, a vida como ela é. O combo de problemas é de arrepiar. Quer começar do pior? Dois jogadores de seleção se esbofetearam no vestiário depois de um treino nesta semana.
O francês Tchouameni e o uruguaio e capitão Valverde foram às vias de fato. Segundo relatos, jogadores tentavam separá-los sem conseguir porque a briga parecia de bar. Valverde se feriu, foi parar no hospital. O clube abriu processo interno para punir os dois. O capitão está fora do jogo contra o Barcelona domingo no Camp Nou. Antes, logo após a eliminação na Liga dos Campeões, o alemão Rüdiger já havia agredido um auxiliar da comissão técnica e um companheiro de elenco.
Entre um episódio e outro de violência, daqueles que você só imagina acontecer em clube mundano, estabeleceu-se uma polêmica com o dono do maior salário do elenco. Mbappé ganha aproximadamente 190 milhões de euros por temporada. Teve lesão muscular e está tratando para tentar ficar pleno para a Copa do Mundo. Decidiu passear de iate com a namorada, foi flagrado em fotos e, por mais que estivesse de folga, despertou em grande parte da torcida merengue um enorme ressentimento.
Seu passeio soou descompromisso com o clube e até abaixo-assinado de mais de 20 milhões de assinaturas, sujeito a imprecisão exagerada neste número que me parece irreal, apareceu nos últimos dias pedindo simplesmente a saída de um dos melhores atacantes do mundo. Mbappé foi para a Itália com aprovação do departamento médico, não cometeu nenhuma indisciplina ao viajar, mas a questão já não é mais o fato e sim a versão e o que ele sinaliza.
O preço da humanidade
Florentino Pérez lançou os Galáticos na passagem anterior como presidente. Estavam juntos todos de branco Ronaldo Nazário, Zidane, Figo, Roberto Carlos e Beckham. O Real Madrid é o maior campeão de Liga dos Campeões. Neste ano, ficou pelo caminho para o Bayern de Munique. Antes, eliminou o Manchester City. Pela legislação de controle de gastos da Federação Espanhola, o clube madrilenho pode gastar mais do que o dobro dos outros em salários e despesas do futebol. Isso dá algo em torno de 761 milhões de euros.
Na face humana do Real Madrid não faltou demissão precoce de treinador. Xabi Alonso, ídolo como jogador merengue, ficou menos de oito meses no cargo de técnico. Seu substituto, o também ex-jogador do clube Arbeloa, não teve resultados melhores e, cereja azeda do bolo, contaria com desaprovação de grande parte do elenco atual segundo informam repórteres que cobrem o Real Madrid.
O clube vai fechar a temporada sem ganhar nenhum título, nem Copa nacional. Nunca gastou tanto em futebol. Fez uma reforma espantosa no Santiago Bernabéu, onde investiu mais de um bilhão e 300 milhões de euros. Tanto dinheiro, tanto luxo e poder não impediram que batesse à porta — e entrasse porta adentro — uma crise típica das relações humanas.
Sim, porque embora possam ser chamados de galáticos, os jogadores, o treinador, a comissão técnica e o presidente do Real Madrid são seres humanos cujo maior desafio é o da convivência em harmonia. Certamente, houve momentos anteriores em que pequenas ou nem tão pequenas crises foram sufocadas dentro do próprio vestiário e os títulos vieram sepultando qualquer desavença. Desta vez, porém, não.
A face humana do maior clube do planeta se apresentou com requintes de crueldade. Neste domingo, joga na casa do maior rival tentando evitar que o Barcelona seja campeão no confronto direto, o que seria a convulsão definitiva do clube acostumado a vencer ou vencer. O Real Madrid desfila sua humanidade debaixo dos olhos do mundo.




