
Comparado aos possíveis dois Gre-Nais que poderão decidir semifinal ou final do Campeonato Gaúcho de 2026, o clássico deste domingo (25) pesa muito menos.
A pré-temporada de Grêmio e Inter acabou sendo dentro do Gauchão, não se passaram 30 dias desde a volta das férias e já se joga à vera. Os treinadores chegaram para esta temporada, ambos estrangeiros, ávidos por reconhecimento rápido do seu trabalho e alguma paz para trabalhar ao longo do primeiro semestre.
Paulo Pezzolano trabalhou em Belo Horizonte, onde a rivalidade Cruzeiro/Atlético MG remete à dos gigantes gaúchos. Luís Castro atuou no Rio de Janeiro, onde o Botafogo joga clássicos contra Flamengo, Fluminense e Vasco. Por mais que tenham visões modernas de futebol, um e outro sabem o quanto significa vitória e derrota em jogos desta natureza.
Se o Inter em casa ganhar ou perder por um gol de diferença, haverá uma alegria ou tristeza rápida, nada grave. O Brasileirão começa três dias depois contra o Athletico-PR, no Beira-Rio, e os confrontos a seguir são contra Flamengo e Palmeiras.
Caso o Grêmio vença ou perca por um gol de diferença, a premissa colorada valerá também para o rival. Logo depois, o Campeonato Brasileiro traz disputas contra Fluminense, Botafogo e São Paulo.
Neste cenário, as duas torcidas, de modo geral, conseguirão contextualizar o tamanho da vitória ou da derrota — e fica pré-marcado o combo de dois novos enfrentamentos no Gauchão pelas semifinais ou pela decisão do título. Porém, senhoras e senhores do Conselho, não desprezem a força do efeito positivo ou negativo do que chamei no Sala de Redação de Efeito Sapatada.
Se o fracasso ou o sucesso forem ostensivos, escrachados, escancarados feito um 3 a 0, a segunda-feira não será um dia qualquer. Cesar Cidade Dias e Vaguinha, meus amigos identificados do Sala, prometeram na sexta-feira que terão comportamento de lorde com qualquer resultado.
Vagner Martins chegou a dizer que nem comemorar gol da vitória vai no Beira-Rio, caso aconteça. É verdade que nem ele acreditou no que disse e abriu um maroto sorriso logo depois da frase. Para expressar o quanto não acredito nesta fleugma britânica prometida por ambos, eu disse que mudava o nome para Gertrudes se qualquer um deles fossem magnânimo num 3 a 0 a favor ou contra. Riram de mim.
O peso para os técnicos
O Efeito Sapatada não deixa nada como era antes. Treinador recém chegado ouve pergunta ruim, dirigente explica o que nem sabe explicar, jogador sai pela porta lateral acompanhado de segurança para chegar bem até seu carro no estacionamento. A zona mista vira um deserto e a interatividade com Marcos Bertoncello na Gaúcha vai a picos de euforia e depressão.
Não vejo no perfil de Pezzolano ou Castro uma tendência de diminuir o clássico ou jogá-lo para cumprir carnê com o mínimo de exposição. São treinadores relativamente jovens com ideias arejadas que incluem o amor ao jogo e uma inquebrantável vontade de ganhar. Embora não descarte, não acredito que qualquer deles recorra a um time misto às oito da noite do domingo no Beira-Rio.
No Grêmio, Luís Castro é aposta de uma nova gestão que mostra a todo momento o quanto pretende ser diferente da anterior. No Inter, no último ano da gestão de Alessandro Barcellos, Paulo Pezzolano significa a esperança de um rendimento escandalosamente melhor do que no ano passado quase com o mesmo elenco, agora reforçado por um zagueiro da seleção equatoriana e um volante argentino que veio da Rússia.
Para qualquer um dos técnicos, vencer o Gre-Nal será um salvo-conduto valioso para o que vem logo depois. Perder o clássico será motivo de turbulência, cuja intensidade vai variar com o tamanho da derrota.
Se derrota normal, a instabilidade se dissipa sozinha. Em caso de fracasso com goleada — a Sapatada —, a torcida derrotada vai puxar uma conta que trará as dores mal curadas ainda de 2025. No caso do Inter, com mais ênfase e com efeito colateral mais imprevisível.
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