
Se valendo de um relatório preliminar de inteligência da Polícia Federal (PF), o ministro Alexandre de Moraes tenta abrir uma investigação sobre André Mendonça e, com isso, criar uma disputa que o permita seguir em silêncio sobre as graves suspeitas que o vinculam ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afastou o pedido do inquérito das fake news —aberto de ofício há sete anos e até hoje sem um desfecho. Determinou que seja conduzido em um procedimento em separado.
O documento apresentado por Moraes com supostos indícios de direcionamento das investigações por Mendonça não deve ser suficiente para impedir o avanço de revelações sobre as conexões nada republicanas de Vorcaro. Mas o tema ajuda Moraes a politizar o tema e tentar desviar o foco.
Nos bastidores, aliás, Moraes não parece preocupado em se explicar à sociedade. Foi flagrado às gargalhadas com os colegas de toga, teve longa conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e saiu com um aliado de peso para tentar vender uma ideia de perseguição.
Alcolumbre apoia Moraes porque também pode ser um dos próximos alvos de revelações da PF. Outros caciques do centrão já haviam manifestado ajuda semelhante com objetivo idêntico, como os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. Há, portanto, um interesse pessoal na ofensiva política que busca confundir para não explicar.
O experiente jornalista Fernando Gabeira resumiu bem o objetivo de Moraes: criar uma falsa equivalência. Em uma sociedade dividida e habituada a grenalizar temas políticos, isso não é tão difícil. Só não explica o motivo das frequentes mensagens secretas que o ministro trocou com um banqueiro corrupto até a véspera de sua prisão.

