
O influenciador digital e empresário Pablo Marçal está inelegível até 2032, mas registrou candidatura à Presidência da República pelo nanico PRTB. Na prática, ele só poderá ser retirado da disputa após uma decisão da Justiça Eleitoral que impeça o registro — cenário considerado provável por especialistas em Direito Eleitoral.
Mesmo que seja remota a possibilidade de aparecer nas urnas em outubro, a movimentação de Marçal tem potencial para influenciar a eleição. As críticas contundentes que ele vem fazendo ao presidente Lula (PT) animaram aliados de Flávio Bolsonaro (PL), que enxergam na atuação do influenciador uma oportunidade de ampliar o desgaste do petista.
Marçal já mostrou, na eleição municipal de 2024, que consegue mobilizar uma parcela expressiva do eleitorado. Naquele ano, terminou a disputa pela prefeitura de São Paulo em terceiro lugar, a menos de um ponto percentual dos votos válidos do segundo colocado. Ficou fora do segundo turno, mas consolidou uma base política própria e uma capacidade relevante de mobilização nas redes sociais
É justamente esse potencial que passou a chamar a atenção do entorno de Flávio. Mesmo sem disputar efetivamente a eleição, Marçal pode funcionar como uma espécie de linha auxiliar do bolsonarismo. Um catalisador do eleitorado de direita que rejeita os políticos tradicionais e se mostra resistente às estruturas partidárias convencionais.
A questão, portanto, não é apenas se Marçal conseguirá ou não chegar às urnas — o que é muito improvável. É quanto sua movimentação será capaz de interferir no debate até lá.
Um candidato inelegível ainda pode produzir conteúdo, influenciar redes sociais, atacar adversários e disputar a atenção de milhões de eleitores. Se conseguir manter uma parcela relevante desse público mobilizada contra Lula, poderá contribuir para alterar o ambiente político da eleição.
Mas há também um limite. O mesmo eleitorado que Marçal mobiliza não necessariamente se transfere automaticamente para outro candidato. Entre transformar influência digital em voto e apenas ampliar a rejeição a Lula existe uma distância considerável.






