
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de Flávio Bolsonaro foi surpresa até para aliados mais próximos. Havia quase unanimidade na cúpula do partido sobre a necessidade de o senador ter uma mulher como vice, como forma de ampliar aceitação do eleitorado feminino. Isso guiou conversas até as últimas horas que antecederam o anúncio.
A definição por Gaspar tem um objetivo claro: explorar a fraude do INSS na campanha e tentar desgastar Lula com o caso. Os inquéritos abertos contra Lulinha, filho mais velho do presidente, e o recebimento de um empréstimo por seu ex-chefe de gabinete aumentaram a exposição do governo à fraude.
Com o relator da CPI ao lado, Flávio também busca munição para justificar questionamentos que surgirão na campanha sobre suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Se é praticamente impossível explicar para fora da bolha seu envolvimento com o banqueiro, a ideia é mostrar que Lula também tem assuntos mal explicados.
Na cerimônia em que anunciou o vice, Flávio estava cercado de mulheres. No discurso, se esforçou para mostrar que tem um plano para valorização de políticas voltadas ao público feminino.
A escolha da linha de frente do palco também foi feita para rebater críticas de isolamento. Flávio estava ao lado da senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), e da ex-secretária do Ministério da Economia Daniela Marques (Republicanos), ambas cotadas para vice, mas sem apoio dos partidos.
A deputada Priscila Costa (PL-CE), que chegou a ser consultada sobre ser vice e era considerada a escolha de Flávio até pouco tempo, foi preterida. Pesou contra a proximidade com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, cuja relação com Flávio teve idas e vindas nos últimos meses.



