
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiu voltar aos holofotes nesta quarta-feira (08), ao determinar mais uma operação policial contra Jair Bolsonaro. Além de não encontrar armas na residência do ex-presidente, a decisão ignorou esclarecimentos feitos previamente pela defesa e reforçou uma crise institucional que atinge a imagem da Corte.
Em um despacho de cinco páginas, Moraes argumentou haver inconsistências sobre o paradeiro de 10 armas de fogo em nome do ex-presidente. A defesa já havia exposto por escrito, contudo, os detalhes sobre o destino de cada equipamento. Eventuais dúvidas poderiam ser esclarecidas facilmente em uma audiência com os advogados.
Fiel ao estilo autoritário que desperta críticas não apenas de apoiadores de Bolsonaro, mas de boa parte dos operadores de Direito, Moraes optou pelo caminho mais midiático: enviou policiais à residência em que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Como se estivesse lidando com um criminoso que oferece risco iminente à integridade física de alguém.
Que tipo de violência poderia oferecer um ex-presidente da República preso em sua casa, com acesso apenas ao núcleo familiar mais próximo, em um condomínio vigiado 24 horas?
As medidas exageradas de Moraes não alteram o mérito da decisão por ampla maioria que condenou Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe de Estado. Mas elas provocam inevitavelmente uma série de efeitos.
Politicamente, as atitudes do ministro reforçam o papel de perseguido político propagado pelo bolsonarismo. Institucionalmente, mancham a imagem do STF e tornam cada vez mais difícil a busca por autocontenção do tribunal — defendida hoje quase de forma isolada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.



