
O Brasil se recusa a "ficar chorando" diante do tarifaço e vai procurar outros mercados para ampliar suas exportações, disse nesta quarta-feira (22) o presidente Lula. Ao anunciar medidas de apoio aos empresários brasileiros, o petista evitou falar em retaliação e garantiu que manterá negociações com o governo de Donald Trump.
— Estamos na mesa de negociação, já procuramos várias vezes [a Casa Branca] e nunca encontramos reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar nosso antagonismo aos EUA? Não. Não vamos sair da mesa de negociação — sustentou o presidente, em evento no Palácio do Planalto.
Além de oferecer crédito subsidiado e garantias a empresas prejudicadas pelas tarifas, Lula incentivou a diplomacia brasileira a intensificar algo que já começou desde os primeiros anúncios de Trump: diversificação de mercados e defesa do multilateralismo.
— Em política e geopolítica, não dá para achar que o mundo acabou. Temos que procurar saída, o Brasil é grande e tem credibilidade no mercado internacional — complementou.
A medida provisória assinada por Lula com a terceira edição do Brasil Soberano beneficia exportadores atingidos pelas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos com base nas seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana.
A Seção 232 afeta setores como aço, alumínio, automóveis e móveis. Já as medidas da Seção 301 alcançam produtos dos setores de madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, cerâmicas, plásticos, calçados, papel e açúcar.
O programa também atenderá empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico.
Serão contemplados ainda setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, entre eles fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.
A medida entrará em vigor após o processo de regulamentação, que ocorrerá, segundo previsão do governo, "nos próximos dias". Estas regras complementares vão estabelecer contrapartidas das empresas. Em alguns casos, será necessário o compromisso de preservação de postos de trabalho.



